(none) || (none)
UAI
Publicidade

Estado de Minas

Ebola supera 4 mil mortos e medo se espalha pelo mundo


postado em 10/10/2014 20:22

O temor se espalhava pelo mundo diante da propagação do vírus Ebola, que já matou mais de quatro mil pessoas, enquanto a Espanha, onde ocorreu a primeira infecção fora da África, reforçava nesta sexta-feira a gestão de um momento "complexo e difícil".

Na Espanha, chega a 17 o número de pessoas hospitalizadas, com apenas um caso confirmado - o da auxiliar de enfermagem Teresa Romero, de 44 anos. Na última segunda-feira, Teresa se tornou o primeiro caso de contágio fora do continente africano, após cuidar de dois missionários espanhóis repatriados em agosto e setembro.

Esta noite, mais três pessoas deram entrada no Hospital La Paz-Carlos III, onde estão internadas as pessoas que mantiveram contato com Teresa. De acordo com fontes do hospital, a técnica em Enfermagem se encontra em estado grave, porém estável.

As três pessoas internadas são uma enfermeira, uma cabeleireira e uma faxineira de um centro de saúde, todas sem sintomas - informou em um comunicado o novo comitê especial, criado pelo Executivo para gerenciar a crise.

Outras 12 pessoas estão em observação em outro andar do hospital, todas sem sintomas, mas consideradas de risco por terem tido contato com a enfermeira. Entre elas, estão o marido, cinco médicos, três enfermeiros e um zelador, que tiveram contato com ela, ou com o último missionário repatriado, além de duas cabeleireiras.

Mais cedo nesta sexta-feira, o chefe de governo espanhol, o conservador Mariano Rajoy, visitou o La Paz-Carlos III, especializado em doenças altamente infecciosas e que desocupou vários andares para receber todas as pessoas que pedirem para ser internadas, mesmo sem sintomas, por terem tido contato com a enfermeira.

"Tem muita gente que está trabalhando aqui em um momento que, como sabemos, é complexo e difícil", declarou Rajoy na porta do hospital, dizendo-se "absolutamente convencido" de que será feito "tudo aquilo que for necessário" para superar a crise.

Ao mesmo tempo, sua número dois, Soraya Sáenz de Santamaría, anunciava "a criação de um comitê especial" com representantes de vários ministérios para gerenciar na Espanha uma doença, cujo número de vítimas, a imensa maioria na África, não para de crescer.

Também nesta sexta, a ministra espanhola da Saúde, Ana Mato, anunciou uma revisão nos protocolos de segurança, entre eles uma redução do limite da febre de controle para 37,7º no lugar de 38,6º, vigente até agora.

Segundo Elvira González, do Sindicato Madrileno de Técnicos de Enfermagem, "tem havido muitas renúncias" entre os funcionários do La Paz-Carlos III por considerarem que dispõem de material e formação insuficientes. Nem o hospital, nem o Ministério da Saúde quiseram confirmar a informação.

"Há uma investigação aberta sobre as possíveis falhas que podem ter ocorrido", afirmou Mato. "Estaremos trabalhando 20 horas por dia, 24 horas se for necessário (...), para que isso não volte a acontecer no nosso país", assegurou a ministra.

O medo se espalha

Enquanto isso, o temor do vírus se espalhava pelo mundo.

No Brasil, o guineano Souleymane Bah, de 47 anos, que chegou em 19 de setembro procedente de Conacri, era avaliado nesta sexta-feira no Instituto Nacional de Infectologia Carlos Chagas, no Rio de Janeiro, para onde foi levado de Cascavel, no Paraná. Foi nesse município que o guineano foi atendido com queixa de quadro febril.

Ele teve amostras de sangue coletadas e enviadas para um laboratório de referência no Pará.

Diante dessa situação, o vizinho Peru intensificou seu plano de prevenção sanitária, inclusive com simulações de tratamento, e o Uruguai reforçou os controles em portos e aeroportos.

Assim como no México, que decidiu vigiar os pontos de trânsito de emigrantes em sua fronteira com os Estados Unidos, a migração clandestina também preocupava a Nicarágua. O governo local decidiu aplicar medidas de proteção extra em pontos de trânsito de imigrantes ilegais.

Em Nova York, 200 funcionários da limpeza de aviões declararam brevemente uma paralisação na quarta-feira no aeroporto de La Guardia, preocupados com os riscos que poderiam correr.

Em um subúrbio de Paris, um prédio público foi totalmente fechado durante uma hora e meia na quinta-feira, devido a um alarme falso, depois que um jovem africano, que veio da Guiné, passou mal. Em Londres, decidiu-se reforçar os testes de Ebola nos dois aeroportos da cidade e no terminal ferroviário de alta velocidade europeu.

Desde o começo do ano até 8 de outubro, a epidemia da febre hemorrágica infectou 8.399 pessoas e matou 4.033, principalmente na Libéria, Serra Leoa e Guiné, segundo o balanço mais recente da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Neste último país - de onde partiu o caso suspeito que está em acompanhamento no Brasil -, o principal centro de tratamento da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) está perto da "saturação". Na Libéria, os funcionários da saúde iniciaram hoje uma greve para reivindicar o pagamento de insalubridade. E até na selva congolesa, os moradores alteraram dieta e costumes, temendo a epidemia.

Após descobrir um segundo caso de contaminação em uma semana entre seus funcionários na Libéria, as Nações Unidas puseram em quarentena 41 de seus agentes nesse país, enquanto em sua sede, em Nova York, a organização anunciou que conseguiu arrecadar apenas 25% do US$ 1 bilhão que pretendia investir na luta contra a epidemia.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade

(none) || (none)