Lucas Fadul

Em carta dirigida aos escoceses, Salmond afirmou ontem que “votar no ‘sim’ vai possibilitar à população ter o poder nas mãos para determinar o futuro da Escócia”. “Acorde na sexta-feira de manhã para o primeiro dia de um país melhor. Não deixe essa oportunidade escapar por entre nossos dedos. Não deixe que eles nos digam que podemos deixar de fazer isso”, exaltou o chefe de governo. Pelo campo do “não”, o ministro britânico das Finanças, o conservador Alistair Darling, e o ex-premiê trabalhista Gordon Brown deixaram as diferenças políticas de lado e participaram de um comício em defesa da permanência dos laços entre Edimburgo e Londres. Ainda na véspera do referendo, uma foto de Salmond e Darling, acompanhada da pergunta “A Escócia deve ser um país independente?”, estampou a capa do jornal The Scottish Sun.
Quatro levantamentos recentes indicavam ligeira vantagem para o “não”. Nas pesquisas promovidas pelos institutos ICM, Opinium, Panelbase e Survation 48% dos entrevistados se declararam a favor da independência, enquanto 52% defenderam a união. Outra apuração, do Ipsos Mori, confirmou uma maioria apertada pela permanência da Escócia no Reino Unido: 51% contra a secessão e 49% a favor. Os resultados mostravam ainda que de 5% a 14% dos habilitados a votar continuavam indecisos, às vésperas do referendo. É esperada uma taxa de participação elevada entre os 4,3 milhões habilitados a votar — pessoas com mais de 16 anos com residência fixa na Escócia.

A possibilidade de a Escócia separar-se do Reino Unido tem causado preocupações ao bloco europeu, que teme modificações nas fronteiras do continente e desequilíbrios políticos. O resultado do referendo pode mudar o peso do Reino Unido na UE, pois Londres perderia votos no Conselho Europeu e assentos no parlamento comunitário. O chefe de governo da Espanha, Mariano Rajoy, declarou ontem que as intenções separatistas da Escócia e da região espanhola da Catalunha são “um torpedo contra o espírito europeu”. “Todos acreditam que esses processos são enormemente negativos”, disse. “Criam problemas muito importantes, como, por exemplo, a moeda, a dívida pública e o pagamento de aposentadorias. Produzem recessão econômica e pobreza para todos”, completou.
