Cerca de 120 milhões de meninas no mundo, quase uma em cada dez, foi estuprada ou vítima de abusos sexuais antes de completar 20 anos, revelou um novo estudo da ONU, que também estabelece que o homicídio é a principal causa de morte de jovens da América Latina.
Segundo a agência, este é o maior estudo realizado até agora sobre violência contra menores e inclui dados de 190 países. "Estes são fatos incômodos que nenhum governo ou pai quer ver", disse o diretor-executivo da Unicef, Anthony Lake.
"Mas a não ser que enfrentemos a realidade que cada estatística irritante representa (...) nunca mudaremos a mentalidade de que a violência contra as crianças é normal e permitida. Não é nenhuma das duas coisas", completou.
A violência sexual contra crianças tem consequências a longo prazo, adverte o estudo, dado que pode criar obstáculos ao desenvolvimento físico, social e psicológico da vítima. Também pode gerar comportamentos autodestrutivos, como a bulimia e a anorexia. Entre as consequências psicológicas estão a depressão, ataques de pânico, ansiedade e pesadelos.
"As crianças que sofreram abusos são mais propensas a cometer suicídio. Quanto mais grave a violência, maior o risco", ressalta o texto. Outros abusos registrados são a perseguição, que regularmente afeta mais de uma em cada três crianças escolarizadas de entre 13 e 15 anos de todo o mundo.
No que se refere à violência para impor a disciplina, o estudo descobriu que cerca de 17% dos jovens de 58 países eram alvos de duras formas de castigo físico, entre elas tapas na cabeça, na orelha ou no rosto, ou espancamentos constantes. O relatório da ONU também aborda a mentalidade através da qual tal violência é perpetuada e justificada.
A Unicef recomenda seis estratégias para evitar a violência contra as crianças, como "apoiar os pais e fornecer às crianças habilidades para a vida; mudar atitudes; reforçar os sistemas e serviços judiciais, criminais e sociais; e gerar exemplos e consciência sobre a violência e seus custos humanos e sócio-econômicos, com o objetivo de mudar atitudes e normas".
