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Estado de Minas

Radiotelescópio ALMA instala 66ª antena e tem recorde de pedidos de uso


postado em 17/06/2014 15:55

O radiotelescópio ALMA, o maior do mundo e situado no norte do Chile, instalou a 5.000 metros de altitude a última de suas 66 antenas, o que encerra o processo de construção do observatório, atualmente o mais demandado pelos astrônomos.

A antena, de 12 metros de diâmetro, é a última das 66 que compõem o projeto. Destas, 25 são europeias, 25 americanas e 16 japonesas, cujas entidades participam do projeto do radiotelescópio, considerado o mais potente do planeta.

Ela foi levada ao ALMA em outubro do ano passado por seus construtores e, após meses de testes, foi transportada para a planície de Chajnantor, a 5.000 metros de altitude, onde se unirá às demais para captar juntas as ondas milimétricas e submilimétricas desprendidas dos corpos celestes, impossíveis de captar pelo olho humano.

Pierre Cox, diretor do ALMA, explicou em coletiva de imprensa que, com a totalidade das antenas, será possível obter mais dados e ainda mais rapidamente.

Sua sensibilidade é tal que será capaz de observar as primeiras e mais distantes galáxias do universo - situadas a 10 bilhões de anos-luz -, até agora desconhecidas.

O ALMA também pode ver através de nuvens estelares que tapam a visibilidade dos telescópios ópticos, e estudar como os planetas se formam, um mistério ainda a ser decifrado.

Além disso, soma a estes desafios o da astroquímica: consegue analisar a composição química das nuvens de gases onde se formam as estrelas, o que dará novas pistas para continuar fazendo grandes descobertas.

O maior observatório astronômico terrestre do mundo iniciou suas observações científicas por etapas: primeiro com 16 antenas e, a partir deste mês de junho, com 45. Espera-se que em outubro de 2015 comecem as observações com as 66 antenas a pleno funcionamento.

Para a segunda etapa, que começou no início deste mês, o ALMA recebeu 1.380 pedidos de observações de astrônomos de todo o mundo, "o número mais alto que um observatório recebeu na história", afirmou Cox.

Um comitê científico se encarrega de filtrar as propostas com base em sua excelência científica e respeitando as cotas de observação de cada país, em função de seu aporte ao orçamento do observatório. "Só uma em cada cinco propostas foi aceita", garante o diretor.

O Chile, por ser o país que acolheu o projeto, tem reservado 10% das observações anuais, uma cota enorme com relação aos poucos centros de pesquisa astronômica chilenos.

Agora, muitos cientistas estrangeiros buscam alianças com pesquisadores chilenos para ter acesso ao disputado tempo de observação, explicou Cox.

A construção e as operações do ALMA são conduzidas em nome da Europa pelo Observatório Europeu Austral (ESO), em nome da América do Norte pelo Rádio-observatório Astronômico Nacional (NRAO), operado pela Associated Universities Inc. (AUI), e em nome do leste da Ásia, pelo Observatório Astronômico Nacional do Japão.

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