Os governos de Brasil e Argentina prorrogaram nesta quarta-feira, por mais um ano, o acordo comercial automotivo bilateral, anunciaram funcionários dos ministérios da Economia e da Indústria em Buenos Aires.
O acordo foi firmado no Palácio da Fazenda pelo ministro argentino da Economia, Axel Kicillof, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Mauro Borges, e prorroga até 30 de junho de 2015 o protocolo de complementação econômica bilateral.
O novo acordo estabelece que, para cada 1 milhão de dólares em automóveis comprados da Argentina sem imposto de importação o Brasil poderá exportar até 1,5 milhão, também sem imposto.
A proporção anterior permitia ao Brasil a venda de 1,95 milhão de dólares em carros à Argentina para cada milhão importado.
"Chegamos ao acordo sob um intenso fogo de boatos de que não conseguiríamos", disse Kicillof em entrevista coletiva.
"Em bloco, formamos o terceiro mercado mundial automotivo. O objetivo é seguir produzindo e criando empregos, com uma forte relação bilateral", destacou Mauro Borges.
Os mercados de automóveis dos dois sócios do Mercosul sofrem queda nas vendas internas e também nas exportações, com perda de postos de trabalho nos dois países.
A Argentina sofreu em 2013 um déficit na balança comercial automotiva de cerca de 2,4 bilhões de dólares, segundo a empresa de consultoria Abeceb.com.
No Brasil, a Federação Nacional de Distribuidores de Veículos (Fenabrave) corrigiu a projeção de vendas para 2014 com uma queda de 5%, contra a estimativa inicial de 3,5%.
A venda de automóveis retrocedeu 18% nos primeiros quatro meses de 2014 na Argentina, após recuar 35% em abril em relação ao mesmo período de 2013, o que levou à suspensão de turnos nas fábricas, segundo a câmara comercial do setor.
O ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil verificou em maio uma queda global de 21,4% no intercâmbio bilateral em relação ao mesmo período de 2013.
Há queda no intercâmbio bilateral pelo oitavo mês consecutivo, com recuo de 19,59% desde o início do ano.
"Vamos ter um ano muito difícil", disse à imprensa brasileira Flavio Meneghetti, presidente da Fenabrave.
O novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, destacou que as exportações de automóveis para a Argentina recuaram 32% mo primeiro trimestre do ano.
A Argentina compra nove a cada dez carros exportados pelo Brasil.
O acordo desta quarta-feira mantém a relação de mercado que é de 11% de veículos argentinos no mercado brasileiro contra 44,3% de unidades brasileiras no mercado argentino.
