O regime sírio realizou nesta terça-feira eleições presidenciais conquistadas de antemão por Bashar al-Assad e denunciadas por seus adversários como uma farsa que, segundo os especialistas, prolongará a devastadora guerra civil que atinge o país há três anos.
As seções eleitorais fecharam a meia-noite (18H00 Brasília) e a apuração começou imediatamente. Os resultados serão divulgados na quinta-feira.
Assad, de 48 anos, que reiterou em diversas ocasiões sua intenção de derrotar os rebeldes, chamados por ele de terroristas, votou com sua esposa Asma no centro de Damasco, informou a televisão estatal.
O ministro sírio das Relações Exteriores, Walid Muallem, declarou ao chegar ao centro eleitoral que a solução política à crise na Síria "começa hoje".
Por sua vez, o chefe da oposição, Ahmad Jarba, convocou os sírios a permanecer em casa, enquanto o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, classificou as eleições de farsa e disse que a Aliança Atlântica não reconhecerá os resultados.
Já os Estados Unidos denunciaram o líder sírio de tentar forçar sua autoridades através da organização de uma eleição vergonhosa, em meio a uma brutal guerra civil.
"As eleições presidenciais de hoje na Síria são uma vergonha", afirmou a porta-voz do departamento de Estado Marie Harf.
"Assad não tem mais credibilidade hoje do que tinha ontem".
Os colégios eleitorais abriram às 07h00 locais (01h00 de Brasília), apenas nas zonas controladas pelo regime, para estas eleições boicotadas pela oposição.
Os eleitores fizeram fila em frente aos centros de votação em Damasco, onde as ruas estavam repletas de papéis com a imagem de Assad, no poder desde 2000.
Os outros dois candidatos, o ex-ministro Hassan al-Nouri e o deputado Maher al-Hajjar, também votaram na capital, sobrevoada constantemente por aviões militares e onde eram ouvidos bombardeios e explosões das zonas próximas que estavam em combate.
As redes de televisão oficiais mostraram imagens de centros eleitorais com muitos eleitores que nem mesmo entravam nas cabines para votar, marcando seu voto em Assad diante das câmaras.
"Votei pelo presidente, naturalmente", afirmou à AFP Nadia Hazim, de 40 anos, em um colégio do centro da capital, expressando a esperança de que Assad vença a guerra contra os rebeldes.
Eleições de sangue
Na cidade de Homs (centro), nas mãos do regime desde o início de maio, as forças de segurança revistaram minuciosamente os veículos e havia caminhões e ônibus bloqueando as ruas para evitar possíveis atentados.
"Voltamos para mostrar ao mundo que foi o povo quem elegeu seu líder", afirmou Saleh Ali Mayasa, de 50 anos. Das centenas de pessoas que votaram, todas elegeram Assad para outro mandato de sete anos.
Em Aleppo, a metrópole do Norte dividida em setores a favor e contra o regime, também houve bastante movimento, segundo a televisão estatal. "Esperamos que não sejam registradas vítimas neste dia", disse o governador Wahid Akad.
Mais de 15 milhões de sírios foram convocados às urnas.
O regime controla 40% do território, no qual vive 60% da população, segundo o geógrafo especializado em Síria Fabrice Balanche.
Os bombardeios prosseguiram nos arredores de Damasco, em Aleppo e em Idleb (noroeste), enquanto os insurgentes, a oposição e seus aliados árabes e ocidentais se mostram incrédulos diante da resistência de Assad no poder.
"Enquanto ocorrem eleições de sangue, as tropas de Assad bombardeiam violentamente Daraya", disse Mohannad, um militante desta localidade próxima a Damasco, em um comunicado.
"Assad tenta recuperar legitimidade e atenuar sua imagem de criminoso de guerra. A única coisa que conseguirá é que os sírios o odeiem ainda mais", afirmaram os comitês de coordenação locais, uma rede de militantes da zona.
