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Estado de Minas

Sissi é proclamado presidente do Egito com 96,9% dos votos

Boa parte da população e até jornalistas vibraram com a vitória de militar que depôs o ex-presidente Mursi. Apesar de não haver sinal de fraude eleitoral, observadores internacionais questionam a falta de oposição e concorrência no pleito


postado em 03/06/2014 16:31 / atualizado em 03/06/2014 16:59

Agora como presidente eleito, ex-marechal Abdel Fatah al Sissi fez discurso à TV egípcia(foto: EGYPTIAN TV/AFP)
Agora como presidente eleito, ex-marechal Abdel Fatah al Sissi fez discurso à TV egípcia (foto: EGYPTIAN TV/AFP)

O ex-chefe do exército Abdel Fatah al Sissi, que dirige Egito de fato desde que destituiu o islamita Mohamed Mursi há 11 meses, foi proclamado presidente com 96,9% dos votos, anunciou nesta terça-feira a comissão eleitoral. Em um discurso televisionado após o anúncio de sua vitória, o marechal Sissi chamou os egípcios a trabalhar para restaurar " a liberdade e a justiça social".

O marechal, que se reformou do exército para poder concorrer à presidência nas eleições de 26, 27 e 28 de maio, obteve 23.780.104 votos contra 757.511 para seu único rival, o líder da esquerda Hamdeen Sabbahi. Com quase 24 milhões de votos, de um total de 54 milhões de eleitores inscritos, quase um eleitor a cada dois votou em Sissi. O rei da Arábia Saudita, cujo país é um dos principais aliados de Sissi, foi o primeiro chefe de Estado estrangeiro a reconhecer sua vitória "histórica".

Mas o governo interino instalado por Sissi eliminou da cena política o principal movimento de oposição, a confraria islamita Irmandade Muçulmana, proibida e declarada "organização terrorista", que boicotou a eleição. Sissi recebeu cerca de 10,5 milhões de votos a mais do que Mursi em 2012, em que todos os partidos puderam participar.

Mursi foi o primeiro chefe de Estado eleito democraticamente no Egito, em julho de 2012. Mas em 3 de julho de 2013, após manifestações em massa exigindo a sua saída, o general Sissi o destituiu e prendeu. Desde então, as novas autoridades lançaram uma implacável repressão contra seus partidários, principalmente os membros da Irmandade Muçulmana.

Em um ano, mais de 1.400 manifestantes pró-Mursi morreram e mais de 15.000 membros da confraria foram presos, incluindo quase todos os seus líderes, muitos deles condenados à morte em julgamentos em massa. Para justificar a repressão, o governo evoca "uma guerra contra o terrorismo".

Sissi não precisou se esforçar para vencer as eleições, sendo uma das personalidades mais cultuadas desde o golpe contra Mursi. Grande parte da opinião pública, estimulada pelos meios de comunicação públicos e privados, se excedeu após um ano de poder de um presidente que tentava monopolizar todos os poderes para os muçulmanos e islamizar a sociedade.

Quase todos os jornalistas egípcios, reunidos na sede da comissão eleitoral, gritaram de alegria com o anúncio da vitória de Sissi, de acordo com jornalistas da AFP. E na simbólica Praça Tahrir, no coração do Cairo, onde os jovens se manifestaram no início de 2011 para acabar com 30 anos de domínio absoluto de Hosni Mubarak, milhares de simpatizantes com bandeiras do Egito, cantavam e dançavam a glória seu "herói".

As dezenas de observadores estrangeiros que participaram da votação consideraram que a eleição não foi marcada por fraudes, mas expressaram reservas sobre seu caráter "justo", na ausência de qualquer oposição.


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