A eleição presidencial na Síria, que provavelmente marcará a reeleição de Bashar al-Assad, acontecerá em 3 de junho, anunciou nesta segunda-feira o presidente do Parlamento, Mohamad al-Laham.
"Determino a data da eleição de um presidente para a República Árabe da Síria (...) para os cidadãos que vivem na Síria para terça-feira 3 de junho", anunciou Al-Laham durante uma sessão solene do Parlamento.
A apresentação de candidaturas acontecerá de 22 de abril até 1 de maio.
A eleição acontecerá em plena guerra na Síria, iniciada em março de 2011 e que já provocou mais de 150.000 mortes. Além disso, 2,5 milhões de sírios fugiram do país e 6,5 milhões foram obrigados a deslocar-se dentro das fronteiras.
Este anúncio "deve ser considerado como uma farsa", reagiu o gabinete do chefe da Coalizão Nacional de Oposição, Ahmad Jarba, acrescentando que "não há corpo eleitoral na Síria capaz de exercer seu direito de voto", após três anos de guerra.
A ONU criticou com rigor a decisão do regime sírio, estimando que a medida mina os esforços para se obter uma saída política para a guerra civil que abala o país.
"A realização de eleições nas atuais circunstâncias, em pleno conflito e com movimentos em massa da população, vai prejudicar o processo político e afastar a perspectiva de uma solução política que tanto necessita o país", afirmou o porta-voz da ONU Stephane Dujarric.
"Estas eleições são incompatíveis com o espírito e a carta de Genebra" sobre uma transição democrática na Síria, base das negociações entre governo e oposição, hoje estancadas.
Durante a sessão no Parlamento sírio foram registrados três disparos de morteiro que deixaram dois mortos e vários feridos perto do Parlamento, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
Até agora, Bashar al-Assad, assim como seu pai Hafez, havia sido eleito por referendo. O atual presidente, como candidato único, foi eleito por referendo com 97,29% dos votos e reeleito, em 2007, com 97,62% dos votos.
A nova Constituição aprovada em 2012 permite pela primeira vez que vários candidatos disputem a eleição. Mas na realidade, as condições exigidas limitam consideravelmente o número de candidatos.
Segundo as cláusulas aprovadas pelo Parlamento em 14 de março, o futuro presidente deve ter vivido na Síria de forma contínua durante os últimos 10 anos.
O candidato também precisa obter o apoio de pelo menos 35 deputados dos 250 do Parlamento.
As exigências tornam praticamente impossível a candidatura de um opositor exilado e muito difícil a de um opositor dentro do país.
Bashar al-Asad, que ainda não anunciou oficialmente a candidatura, declarou em janeiro que existiam "muitas possibilidades" de disputar novamente.
