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Estado de Minas

OEA impede acesso da imprensa a reunião com deputada opositora venezuelana

Votação para decidir se reunião seria aberta ou não gerou revolta em membros, que comparam a situação à de censura e repressão que ocorre na Venezuela


postado em 21/03/2014 15:31 / atualizado em 21/03/2014 16:49

Manifestante usa faixa com bandeira da Venezuela como mordaça em protesto contra a perseguição à liberdade de imprensa liderada pelo presidente Maduro(foto: LEO RAMIREZ/AFP)
Manifestante usa faixa com bandeira da Venezuela como mordaça em protesto contra a perseguição à liberdade de imprensa liderada pelo presidente Maduro (foto: LEO RAMIREZ/AFP)

O Conselho Permanente da OEA decidiu nesta sexta-feira, com os votos da Venezuela e dos países da ALBA, realizar uma reunião a portas fechadas, durante a qual a deputada da oposição venezuelana Maria Corina Machado deve falar. A decisão foi tomada com 22 votos a favor, 11 contra e uma abstenção.

"Com total transparência, votamos por uma reunião privada", declarou a representante suplente da Venezuela, Carmen Velasquez. "O objetivo desta reunião não é transformá-la em um circo para o público externo, como alguns representantes mostraram que pretendem fazer", disse o embaixador do Brasil, Breno Dias da Costa, explicando o voto favorável do país pela reunião fechada.

Além do Brasil, votaram pelo bloqueio ao acesso dos meios de comunicação e do público Nicarágua, Uruguai, El Salvador, Argentina, Venezuela, Bolívia e países do Caribe. Barbados se absteve. Esse ponto foi rejeitado por Panamá, Estados Unidos, Canadá, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru, Costa Rica, Guatemala e Honduras. "Eu não vejo por que deve ser secreto", questionou o embaixador panamenho Arturo Vallarino. Maria Corina, que foi credenciada pela delegação panamenha, denunciou a decisão "que prova a vocação totalitarista da Venezuela".

A situação na Venezuela ocupa o primeiro item da pauta da reunião. A deputada opositora é uma das proponentes, junto com líder da oposição Leopoldo López, da estratégia que visa a forçar a renúncia do presidente Nicolas Maduro por pressão de manifestações. Corina Machado enfrenta um processo de cassação de sua imunidade parlamentar depois de ter sido acusada de incitar a violência nos protestos que agitam o país desde fevereiro e que deixaram 31 mortos.

O caso da Venezuela já foi discutido há duas semanas na OEA, em uma reunião especial do Conselho Permanente, também a portas fechadas. Nessa ocasião, a grande maioria dos países aprovou uma declaração de solidariedade à democracia na Venezuela e iniciativas de diálogo propostas pelo governo para acabar com os protestos.


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