O governo turco acusou nesta segunda-feira magistrados ligados ao pregador muçulmano Fetulah Gülen de autorizar escutas ilegais contra milhares de pessoas, incluindo o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, o chefe dos serviços secretos e numerosos jornalistas, em uma conspiração para desestabilizar o país.
Segundo os jornais Yeni Safak e Star, os telefones destas personalidades foram "grampeados" a partir de 2011 por ordem da organização de Gülen, a quem Erdogan acusa de promover o escândalo político e financeiro sem precedentes que abala seu governo.
A existência dos "grampos" foi descoberta pelos procuradores nomeados recentemente pelo governo para controlar a direção das investigações contra a corrupção, foco das informações que alimentaram o escândalo.
O jornal Star estimou que cerca de 7 mil pessoas tiveram seus telefonemas monitorados ilegalmente.
Ao final da reunião do gabinete, o porta-voz do Governo, Bülent Arinç, confirmou as acusações: "estes procuradores devem pedir desculpas públicas a todas as pessoas que foram submetidas às escutas".
Além de Erdogan, entre as autoridades "grampeadas" estão o chefe da agência turca de Inteligência (MIT), Hakan Fidan, vários ministros, numerosos assessores, membros da oposição, empresários, responsáveis por organizações não governamentais e jornalistas, afirmam os dois jornais.
Um dos procuradores acusados pelos jornais, Adnan Cimen, negou categoricamente ter ordenado qualquer escuta. "Estas alegações são infundadas. Não ordenei qualquer operação ilegal".
O Parlamento turco discute um polêmico projeto de lei promovido pelo partido do governo - Justiça e Liberdade - destinado a reforçar os poderes do MIT, especialmente na área de escutas telefônicas.
