A justiça venezuelana negou a liberdade plena solicitada para a juíza María Lourdes Afiuni após a suspensão de seu julgamento, por um caso de suposta corrução considerado arbitrário pela ONU e pelo qual o falecido presidente Hugo Chávez pediu 30 anos de prisão.
"A juíza do caso negou a liberdade plena a favor da juíza María Lourdes Afiuni afirmando que não transcorreram os dois anos de prorrogação da privação de liberdade", declarou o advogado de defesa, José Amalio Graterol, na quarta-feira ao site Noticias 24.
O advogado explicou que a decisão do tribunal aponta que a liberdade plena pode ser solicitada após 10 de dezembro, "quando terão sido cumpridos quatro anos do processo da doutora Afiuni", segundo as leis venezuelanas.
Para Graterol, a decisão do tribunal "não está ajustada corretamente (...) denota o medo do governo do que a juíza Afiuni possa falar ao país sobre o que ocorreu no caso", conclui.
Graterol solicitou a liberdade plena e sem restrições para a juíza na última quinta-feira, após a interrupção do processo judicial contra ela, depois que os promotores do caso não se apresentaram na audiência.
A juíza venezuelana obteve liberdade condicional no dia 14 de junho, mais de três anos e meio depois de ter sido detida, mas com algumas condições, como a de se apresentar a cada 15 dias no tribunal, não sair do país e a proibição de falar aos meios de comunicação ou escrever em redes sociais, especialmente no Twitter, onde tem uma conta verificada que utilizou até a divulgação da medida.
