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Estado de Minas

Obama pede ao Congresso o fim da "farsa" do bloqueio orçamentário


postado em 05/10/2013 14:31

O presidente americano, Barack Obama, aumentou a pressão sobre os republicanos neste sábado ao pedir ao Congresso que aprove rapidamente um novo orçamento para deter a "farsa" que mantém o governo paralisado há cinco dias.

Mesmo sem tocar na questão chave da paralisa - a ausência de orçamento para o ano fiscal de 2014, que começou em 1 de outubro-, os legisladores da Câmara de Representantes chegaram a um acordo neste sábado para remediar uma de suas consequências.

Eles aprovaram por unanimidade, por 407 votos a 0, uma medida que permitirá aos 900.000 funcionários federais obrigados a entrar em férias forçadas sem salário a receber o pagamento de forma retroativa para todos os dias perdidos de trabalho.

O Senado deve votar a medida ainda neste sábado.

"Façam a votação. Parem com esta farsa e acabem com a 'paralisação' (shutdown em inglês) agora", disse o presidente aos representantes republicanos em seu programa semanal de rádio.

Republicanos e democratas da Câmara de Representantes e do Senado têm uma sessão prevista para este sábado, em mais uma tentativa para obter um acordo sobre o orçamento, que desde terça-feira mantém paralisado o Estado federal, que não pode funcionar sem esta lei.

O presidente acusou a "extrema-direita do Partido Republicano" de impedir a votação do orçamento na Câmara de Representantes, onde, segundo ele, a maioria dos legisladores dos dois partidos deseja aprovar a lei.

Os republicanos, contrários à reforma da saúde - chamada de Obamacare, aprovada em 2010 e referendada pela Suprema Corte - que entrou em vigor na terça-feira, não aceitam votar um orçamento sem cortes ao financiamento da medida.

"Não pagarei um resgate"

Os republicanos ameaçam condicionar a negociação do orçamento à autorização para o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos.

Mas Obama advertiu que não cederá à chantagem.

"Não pagarei um resgate em troca da reabertura do governo. E com certeza não vou pagar um resgate em troca do aumento do teto da dívida", disse.

Sem um acordo que permita aumentar o teto legal de endividamento do país até 17 de outubro, os Estados Unidos poderiam entrar em moratória pela primeira vez na história.

O teto da dívida, atingido em maio, é de 16,7 trilhões de dólares. O déficit mensal se aproxima de 60 bilhões de dólares, que devem ser obtidos nos mercados financeiros.

"Por mais que uma paralisação do governo seja imprudente, uma paralisia econômica provocada por um 'default' seria dramaticamente pior", disse Obama.

Os republicanos se defendem da ideia de que são os culpados pela crise.

"Os americanos não querem o governo paralisado, eu tampouco", disse na sexta-feira o presidente da Câmara, John Boehner.

"A única coisa que pedimos é para sentar, discutir, reabrir o Estado federal e introduzir equidade para os americanos no Obamacare", completou Boehner.

Obama destacou neste sábado que "sempre estará estará disposto a trabalhar com todos, de cada partido, sobre os meios para melhorar o crescimento, criar novos empregos e colocar em ordem o orçamento a longo prazo".

"Mas não sob estas ameaças contra nossa economia", advertiu.

O presidente e os democratas - maioria no Senado - apresentaram a proposta de negociar formalmente um orçamento a longo prazo, mas como condição exigem a votação na Câmara de Representantes - dominada pelos republicanos - de uma lei de finanças de seis semanas para reabrir o governo federal.

A falta de acordo provocou o fechamento de serviços não essenciais e férias forçadas de 900.000 funcionários públicos (43% do efetivo), segundo os dados do site GovExec.

Dois fornecedores importantes do Pentágono, o grupo de defesa americano Lockheed Martin e o grupo industrial United Technologies, anunciaram que a partir de segunda-feira serão obrigados a dar licença forçada a milhares de trabalhadores.

Crise além das fronteiras

A situação americana provocou inquietação nos mercados mundiais durante a semana.

Para acentuar ainda mais a pressão sobre os republicanos, o secretário de Estado John Kerry advertiu que a crise orçamentária poderia debilitar a posição dos Estados Unidos no mundo.

"Se for prolongado, ou repetido, as pessoas podem começar a colocar em dúvida a vontade dos Estados Unidos para manter o rumo e sua capacidade para fazê-lo. Mas não é o caso e não acredito que seja", disse Kerry em uma entrevista coletiva antes da abertura, segunda-feira, da reunião do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na ilha indonésia de Bali.

Kerry é o representante de Obama na Apec, depois que o presidente se viu obrigado a anular a viagem à Ásia em consequência da crise.

A União Europeia anunciou na sexta-feira o cancelamento da segunda rodada de negociações com os americanos sobre a aplicação de um tratado de livre comércio, previsto para começar na segunda-feira.


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