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Estado de Minas

Assad diz que ainda é cedo para decidir sobre reeleição


postado em 04/10/2013 08:25 / atualizado em 04/10/2013 08:53

O presidente sírio, Bashar Assad, disse que ainda é cedo para dizer se ele concorrerá para reeleição no próximo ano, contudo o mandatário afirmou que não tentará um terceiro mandato caso sinta que essa é a vontade da maioria dos sírios.

Falando em uma entrevista para a Halk TV, da Turquia, Assad não mencionou o papel de seu governo na guerra civil da Síria. Em vez disso, o líder culpou guerrilheiros e governos estrangeiros, incluindo a Turquia, pelo derramamento de sangue.


Transmitida na quinta-feira, a entrevista foi a última de uma série que o presidente sírio tem dado à imprensa estrangeira como parte de uma tentativa para angariar apoio público após o acordo intermediado pela Rússia, que evitou a ameaça de um ataque aéreo dos EUA.

No que diz respeito à oferta potencial para mais um mandato de sete anos, "a imagem ficará mais clara" nos próximos quatro a cinco meses porque a Síria passando por "rápidas" mudanças, disse Assad.

Bashar Assad é presidente desde 2000, quando ele assumiu o cargo depois que seu pai e antecessor, Hafez Assad, morreu. Hafez governou a Síria por três décadas. O segundo mandato de sete anos de Assad deve terminar em meados de 2014.

A oposição da Síria quer que Assad renuncie e entregue o poder a um governo de transição até que novas eleições sejam realizadas. Apesar do sangrento conflito, Assad ainda tem amplo apoio entre as minorias, incluindo os cristãos e membros de sua seita alauíta, uma ramificação do islamismo xiita.

"Se eu sentir que o povo sírio quer que eu seja presidente no próximo período, eu vou concorrer ao cargo", disse Assad. "Se a resposta for não, eu não vou concorrer e eu não vejo problema nisso".

Assad também usou a entrevista para atacar o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. O mandatário alertou que Ancara vai pagar um "preço alto" por permitir que combatentes estrangeiros entrassem na Síria a partir de território turco para combater as forças do regime sírio.

Erdogan tem sido um dos mais duros críticos de Assad desde o levante na Síria, que começou em março de 2011.

"Este governo, representado por Erdogan, é responsável pelo derramamento de sangue de dezenas de milhares de sírios, e é responsável pela destruição da infraestrutura da Síria", disse Assad. Ele também é "responsável por colocar em perigo a segurança da região, não só na Síria".

"Você não pode esconder terroristas em seu bolso. Eles são como um escorpião, que acabará te picando", acrescentou Assad. O presidente sírio também afirmou que extremistas muçulmanos de mais de 80 países estão chegando à Síria através da fronteira com a Turquia.

Enquanto isso, uma equipe de especialistas internacionais de armas que está visitando a Síria deixou seu hotel em Damasco nesta sexta-feira, em seu quarto dia de trabalho no país. A missão - endossada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU na semana passada - é acabar com a capacidade da Síria de fabricação de armas químicas até 1º de novembro e destruir todo arsenal de Assad, em meados de 2014.

A missão é uma resposta ao ataque ocorrido em 21 de agosto em subúrbios de Damasco. Os EUA e seus aliados acusam o governo de Assad de ser o responsável pelo ataque, enquanto Damasco acusa os rebeldes. Os EUA disseram que a ofensiva, que contou com armas químicas, matou 1.400 pessoas.

Na entrevista com a Halk TV, Assad rejeitou rumores que circulam de que seu irmão mais novo, Maher Assad, um alto general do Exército, tinha sido ferido em uma tentativa de assassinato.

"Todos os rumores sobre a nossa família durante a crise são mentiras sem fundamento", disse Assad. Sobre Maher, o líder afirmou que ele está presente no trabalho e tem "boa saúde".

O Assad mais jovem comanda tropas de elite que tem como função proteger Damasco de levantes na periferia da cidade. Ele é considerado como alguém que desempenhou um papel fundamental no direcionamento da campanha contra a revolta nos primeiros dias de 2011. Ele também ganhou uma reputação de violento entre os ativistas da oposição.


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