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Estado de Minas

Família francesa investe na autonomia alimentar


postado em 03/10/2013 19:31

Jerôme e Marylin desconfiavam da agricultura tradicional e tampouco acreditavam muito na publicidade dos produtos orgânicos. Assim, compraram uma antiga fazenda no leste da França e estabeleceram uma meta: a autonomia alimentar.

"Chegamos aqui em maio de 2012" e "esse mesmo ano plantamos a horta e compramos os primeiros animais - dois porcos, três cabras e alguns coelhos", contou Marylin, dona de casa que cria dois filhos, de 7 e 10 anos.

A alguns quilômetros de Saint-Dié-des-Vosges, pequena cidade do maciço dos Vosges franceses, e ao final de uma estrada de terra, se destaca na ladeira de uma colina uma grande casa um pouco envelhecida, cercada de árvores frondosas e frutíferas: macieiras, pereiras, cerejeiras, ameixeiras e nogueiras.

A princípio, o projeto era viver em "um lugar um pouco isolado". E depois, explica Jérôme, "nos dissemos porque não ir além".

Este técnico em audiovisual, que trabalha uma dezena de dias por mês em Estrasburgo, a 90 km de casa, diz que "já não confia na agricultura atual" e lamenta "as sombras da nossa alimentação".

"Quero estar na ação porque os discursos não mudam o sistema", explica Jérôme, que assume o lado "radical" de sua conduta e expõe simplesmente seu desejo de "voltar a uma concepção racional" dos alimentos.

Agora adverte, uma agricultura mais racional, ou seja, distante de antibióticos e pesticidas, de rações animais e soja transgênica "quer dizer que não podemos comer tanta carne quanto hoje em dia".

Este homem de 38 anos, nascido de uma família de operários, não é militante ecologista, nem integra associações.

"Nossos pais são muito marcados pelo produtivismo do pós-guerra, não nos entendem muito", diz o casal.

"Hoje existem dois caminhos: o orgânico ou o intensivo", mas "esta visão deve mudar", afirma. "Eu me compadeço dos camponeses, vejo o seu trabalho com animais e ao final do dia, não decidem nem o preço. No campo orgânico, as pessoas também vivem mal porque é um sistema rígido".

Paciência e porco preto

Eles desconfiam dos produtos orgânicos: "um pouco de luxo e a gente não vê necessariamente os quilômetros percorridos pelos produtos orgânicos até as lojas".

Dos cinco hectares adjacentes à casa, um é usado para a horta, que tem uma pequena estufa, e para os animais. As cabras ajudam a limpar o terreno íngreme que estava coberto de salsaparrilha.

"Esta primavera já deixamos de comprar verduras", conta a jovem. O casal tem reservas de batatas e enormes abóboras.

O demais é questão de paciência.

Os dois porcos serão sacrificados com ajuda dos vizinhos antes do próximo verão. Para então, as cabras terão começado a dar leite. "Aprenderemos a fabricar queijo, meu cunhado já faz", entusiasma-se Marylin.

"Optamos por porcos pretos da raça gascona porque são os mais rústicos, resistem mais ao frio e às doenças, mas são necessários quinze meses para engordá-los", explica Jérôme, que assim como muitos proprietários não declararam seus animais e por isso prefere não revelar o sobrenome. "Com os porcos clássicos são seis meses, mas com antibióticos e alimentação concentrada", lamenta.

Dentro de alguns meses, prevê comprar frangos, patos e outro casal de porcos. Para completar o pomar, plantarão morango, groselha e cassis.

"Vamos passo a passo", explica Jérôme, porque "tem gente que se atirou e depois de dois anos ficou esgotada".

"Temos que mudar nossos costumes e é muito trabalho", admite Marylin, de 37 anos.

Somada à renovação da fazenda, a magnitude do trabalho é imenso, mas não parece assustá-los.

O objetivo em um ano é chegarem a ser 100% autônomos em verduras o ano todo e 80% nas frutas. Além dos frutos frescos, terão geleias, compotas e conservas. "Vamos ver aonde chegamos com a carne", diz, sem excluir que já não terão que comprar mais.

O antigo forno de pão "um pouco acabado" será restaurado e o casal dá preferência à produção local (queijo, mel, etc.).

Eles sempre terão que comprar alguns produtos, como café e óleo, por exemplo. Não deixarão de ir totalmente ao supermercado, mas a prioridade é "evitar tanto quanto possível o açougue e a padaria industrial".


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