A esmagadora vitória da chanceler alemã, Angela Merkel, nas eleições de domingo, deixa no ar as expectativas de seus sócios europeus em crise sobre uma mudança nas políticas de austeridade, segundo analistas.
Desde o começo da crise financeira, há cinco anos, a Alemanha esteve no centro de decisão das políticas europeias para evitar a implosão da zona do euro.
"Sua força econômica realçou sua influência política", disseram Nicholas Walton e Ulrike Guerot, do Conselho Europeu das Relações Exteriores.
Berlim agora é "a grande esperança para levar a Europa adiante e resolver a crise", acrescentaram.
Os europeus esperam da Alemanha uma visão para a União Europeia que não seja uma simples gestão de emergência.
Na agenda para discussão estão a união bancária, uma estratégia de crescimento para a Europa e uma política externa europeia, segundo os analistas, além de maior flexibilidade nas políticas de austeridade que a conservadora Merkel e sua coalizão com os liberais, defendeu em sua gestão anterior.
"(Merkel) está em uma posição mais forte para moldar a política europeia", analisa Judy Dempsey do Instituto Carnegie Europe, e sua vitória a consolida como a líder indiscutível da UE, disse à AFP, Jean Dominique Giuliani, presidente da Fundação Robert Schuman.
Contudo, a pressão dos países do sul da Europa em crise, submetidos a rígidos cortes para reduzir o déficit, em troca, em algunos casos, como Portugal, Grécia ou o setor bancário espanhol, de milionários resgates, aumentará para que Berlim amenize sua posição sobre as políticas de austeridade, acrescenta Judy Dempsey.
Sem capital político para a mudança
Os países do sul da Europa acreditam que uma participação dos social-democratas no próximo governo lhes dê "um alívio" na política de austeridade e gerem maior flexibilidade no futuro governo, segundo Dempsey.
"Contudo, podem se equivocar. Durante a crise do euro os social-democratas apoiaram a posição de Merkel", acrescenta.
Nos últimos anos, o SPD social-democrata, assim como os Verdes, apoiaram a chanceler ao votar a maioria dos planos de resgate para os países em crise. "A política europeia da Alemanha esteve cada vez mais voltada ao CDU (conservadores de Merkel) e ao SPD", observou Gilles Moëc, economista do Deutsche Bank.
"Não vai reverter o curso da austeridade. Não há capital político suficiente na Alemanha para uma mudança", defendeu Jan Techau do Instituto Carnegie Europe.
"Nada mudará nas orientações da Alemanha", concordou Ilias Nikolakopoulos, do Instituto Opinion de Atenas. "Teremos a mesma política, inclusive com os social-democratas no governo, já que não terão uma grande influência" após obter 26% dos votos nas eleições de domingo, explicou.
Os alemães consideram que seu sucesso se deve a seus próprios esforços. "Realizaram difíceis reformas, controlando os gastos e tornando o setor exportador competitivo. Esse é, dizem, o segredo do sucesso, antes de dividir o dinheiro e esta é a razão pela qual a Alemanha continua enfatizando a austeridade como o caminho para o sucesso econômico", argumentaram Walton e Guerot.
O eleitorado alemão ao dar a Merkel esta grande vitória com 41,5% dos votos, endossou a política da chanceler na gestão da crise, deu "maior margem de manobra", disse Jan Techau.
