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Estado de Minas

Colômbia: Santos chama negociadores após pausa nas negociações de paz


postado em 23/08/2013 21:31

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, chamou nesta sexta-feira sua equipe de negociadores em Cuba para avaliar a decisão das Farc de fazer uma pausa no diálogo de paz, e advertiu que a guerrilha não deve impor condições à negociação.

"Neste processo não são as Farc que decretam pausas ou impõem condições. Desta maneira, tomei a decisão de chamar os negociadores para que voltem imediatamente (à Colômbia) para avaliarmos este comunicado", disse Santos em declaração pública.

O presidente destacou que analisará com seus delegados "o alcance do comportamento das Farc" diante de sua proposta de celebrar um referendo para validar um eventual acordo de paz com a guerrilha, simultaneamente às eleições do próximo ano.

Esta iniciativa "busca apenas acelerar a solução deste conflito. Retomaremos as conversações quando considerarmos apropriado", acrescentou Santos.

Mais cedo, o presidente havia considerado legítima e válida a pausa anunciada pelas Farc nas conversações de paz.

"Entendo que a guerrilha tenha dito: vamos nos levantar da mesa para estudar esta proposta. É perfeitamente legítimo e válido que o façam, mas o tempo passa e a paciência do povo colombiano tem seu limite e temos que continuar avançando", afirmou Santos.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram uma pausa nas conversações com o governo colombiano para analisar a proposta de realização do referendo sobre um futuro acordo de paz, feita na véspera por Santos.

"Ante esta nova circunstância, a delegação de paz das Farc decidiu fazer uma pausa na discussão para centrar-se exclusivamente na análise dos alcances da proposta governamental", afirmou a guerrilha em um comunicado lido à imprensa por Pablo Catatumbo, integrante da delegação que negocia a paz com o governo Santos na Havana desde novembro de 2012.

"Pedimos que entendam que queremos agir com responsabilidade, com sensatez, maturidade, com ponderação na análise desta conjuntura que nos foi apresentada", declarou Catatumbo.

O dirigente guerrilheiro, que não informou quanto tempo vai durar esta pausa, recordou que o grupo rebelde havia proposto convocar "uma assembleia nacional constituinte para que o cidadão decidisse sobre temas cruciais para todos os colombianos".

Em 11 de junho, as Farc, que exigiram reiteradamente uma assembleia constituinte, propuseram adiar por um ano as eleições legislativas e presidenciais de 2014, o que implicaria prolongar o mandato das atuais autoridades, algo que Santos rejeitou.

O atual ciclo de conversações terminaria na próxima quinta-feira.

As Farc também condenaram nesta sexta, em outro comunicado, o "tratamento militarista" que o governo Santos dá aos protestos dos camponeses, iniciados na segunda-feira.

O governo de Santos realiza desde o final de 2012 um processo de paz com as Farc, com uma mesa de conversações em Havana, e até agora discutiram dois de cinco pontos: desenvolvimento rural e participação política da guerrilha.

Os demais pontos são drogas ilícitas, abandono das armas e indenização das vítimas.

As Farc, criadas em 1964 e com 8.000 combatentes atualmente, são a guerrilha mais antiga da América Latina.

O conflito com as Farc deixou 600.000 mortos e mais de três milhões de deslocados.

Esta é a quinta tentativa de se conseguir um acordo de paz, depois de três experiências fracassadas nos anos 1980, 1990 e 2000.


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