A Cúpula Social do Mercosul, que teve início nesta quarta-feira, em Montevidéu, questionou uma possível aproximação do bloco com a Aliança do Pacífico, ao considerá-la uma organização puramente comercial.
No encontro, alegou-se que essa aproximação poderia afastar o bloco do Cone Sul de seus objetivos sociais.
"A Aliança do Pacífico é uma proposta que aponta para dividir um processo de integração do sul que vem avançando a passos bastante firmes e largos. É uma proposta equivocada, vem trazer ruído à região", disse à AFP Graciela Rodríguez, integrante da Rede Brasileira pela Integração dos Povos.
"Muitos movimentos sociais acreditam que fórmulas como a Aliança não são o caminho, a solução não é o livre comércio, mas sim pensar na região e nas cadeias produtivas para potencializá-la (a região), e não para dar continuidade a um modelo apenas de saída de matérias primas", acrescentou.
A Aliança do Pacífico - formada por Colômbia, Chile, México e Peru - ganhou um forte impulso em maio, ao acordar a liberalização total de seu comércio, ainda que sem prazo. O movimento despertou a admiração de setores dos governos latino-americanos, enquanto o Mercosul, impotente pelas medidas protecionistas, soma questionamentos.
Este ano, o Uruguai pediu para ingressar na Aliança do Pacífico como observador, o que gerou críticas do demais sócios do Mercosul.
O embaixador do Conselho Consultivo social da Argentina, Oscar Laborde, ressaltou que, "evidentemente, a direita continental e o governo dos Estados Unidos estão atentando contra essa integração. Os exemplos são mais do que evidentes ... É evidente que a Aliança do Pacífico é um instrumento nesse sentido".
A Cúpula Social do Mercosul, que termina nesta quinta, faz oficinas de educação, direitos humanos, migração e inclusão social, entre outras. Além disso, terá representantes na Cúpula de Presidentes do bloco, que acontece na sexta-feira.
