Em entrevista ao canal ABC, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, contestou ontem as declarações das autoridades dos Estados Unidos de que as revelações do site criado por ele e as informações divulgadas por Edward Snowden colocaram vidas em risco. O australiano disse ainda que Snowden, ex-funcionário da NSA (agência de segurança nacional dos EUA), assegurou que outras informações sobre os programas de vigilância americano serão divulgadas, independentemente do que acontecer com ele.
"Não há como parar o processo de publicação neste estágio", destacou Assange ao participar do programa This Week. Enfatizou ainda que cuidados foram tomados para garantir que Snowden não seja pressionado por qualquer governo a interromper as divulgações. Contudo, foi evasivo quando indagado se o WikiLeaks possuía cópias dos arquivos.
Assange concedeu a entrevista na Embaixada do Equador em Londres, onde está refugiado há um ano. "Ouvimos esta retórica. Também me acusaram com esse tipo de declarações há dois, três anos. E todas eram falsas", disse quando perguntado sobre os riscos decorrentes das revelações feitas pelo WikiLeaks e por Snowden. A análise foi feita recentemente pelo secretário de Estado americano, John Kerry.
"Aconteceram debates sérios — que ainda hoje estão em alguns tabloides — sobre se provocavam dano. No entanto, nenhuma autoridade americana, ninguém do Pentágono, nem de nenhum governo, disse que alguma de nossas revelações nos últimos seis anos provocou algum dano físico a alguém", completou. Ele assinalou que "as revelações de Snowden são ainda mais abstratas" do que as divulgadas pelo site que criou.
O australiano e outras pessoas vinculadas ao WikiLeaks vêm dando assistência a Snowden, que aparentemente estaria há uma semana na área de trânsito do aeroporto de Moscou. O americano aguarda uma decisão do governo do presidente Rafael Correa sobre a possibilidade de seguir para o Equador. Após as revelações sobre o programa secreto de vigilância dos EUA, Snowden teve seu passaporte cancelado. Washington emitiu uma ordem de prisão contra o jovem de 30 anos, que inicialmente se refugiou em Hong Kong.
Na entrevista à ABC, Assange chamou Snowden de herói. Considerou inaceitável que o vice-presidente americano, Joe Biden, tenha ligado ao presidente equatoriano para "pressioná-lo" a rejeitar o pedido de asilo.
