Rodrigo Craveiro* - Enviado especial
Taipei (Taiwan) — "Ó, guerreiros. Pelo povo, estejam na vanguarda. Incansavelmente, de dia ou de noite, sigam os princípios. Jurem ser diligentes, jurem ser valentes, sejam dignos de confiança, sejam leais." A letra do hino nacional, escrita em 1924, sintetiza os anseios da República da China – também conhecida como Taiwan – pela convivência pacífica e pela harmonia. O presidente Ma Ying-jeou começa hoje o segundo ano de seu segundo mandato diante dos desafios de contornar uma crise com as Filipinas e uma disputa territorial envolvendo o Japão, manter o crescimento e impulsionar as relações bilaterais com o Ocidente.
Um dos quatro Tigres Asiáticos, ao lado de Hong Kong, Cingapura e Coreia do Sul, Taiwan ostenta a 19ª maior economia do mundo, com um Produto Bruto Interno (PIB) estimado em US$ 467 bilhões. O PIB per capita (a soma dos salários de toda a população dividida pelo número de habitantes) chega a US$ 20 mil. Ma buscará um maior protagonismo do país no cenário internacional ao reivindicar o posto de observador na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e na Organização Internacional de Aviação Civil (Icao). A cada semana, 1,2 mil voos deixam Taiwan rumo à China continental e 400 partem para o Japão. "Queremos ser membros da Icao, da qual não temos podido participar ante uma pressão política da China continental. Nossa intenção é estar bem atualizados com os regulamentos da segurança da aviação civil", disse o embaixador de Taiwan no Brasil, Jorge Guang Pu Shyu.
Apesar das constantes ameaças da China, o embaixador Jorge Guang Pu Shyu reconhece OS dois governos, separados pelo Estreito de Taiwan. "A China comunista, tão poderosa, não pode roubar nossa ilha. Estamos de acordo com a existência de duas Chinas. Somos um país independente", afirmou o diplomata. "A paz é sempre importante para o mundo todo. Não queremos a guerra." De acordo com ele, a China somente representaria uma ameaça real se Taiwan admitisse o desejo de declarar sua autonomia. "Queremos buscar a paz e trabalhar para sobreviver, para viver um pouco melhor a cada ano. Só precisamos de uma vida pacífica. Queremos ser amigos de todos os países e de dar apoio ao desenvolvimento global", comentou Jorge.
Sob a determinação de preservar a estabilidade no Leste do Oceano Pacífico e resistir à pressão ideológica e política imposta por Pequim, Ma Ying-jeou buscou evitar um agravamento de tensão com Manila, depois que um barco filipino disparou 58 vezes contra o pesqueiro taiuanês Guang Da Xing, no último dia 9, matando uma pessoa. Taipei exigiu desculpas formais do governo filipino (leia box Saiba mais). O embaixador de Taiwan no Brasil mostrou preocupação com o incidente envolvendo as Filipinas e destacou que o barco pesqueiro estava desarmado e em águas territoriais taiuanesas, que são reclamadas por Manila. "Não se sabe ao certo quem foram as pessoas que cometeram esse atentado contra a paz. Mas o barco que atacou é do governo filipino. O presidente Ma Ying-jeou propõe uma iniciativa de paz no Mar da China Oriental e deseja que toda a região tenha paz", frisou.
COMÉRCIO Tudo o que Taiwan deseja é o reconhecimento como uma nação soberana e com uma economia sólida. A ilha, apelidada pelos colonizadores portugueses de Formosa, está orientada à exportação. "Queremos fazer mais negócios e participar do comércio internacional, inclusive com o Brasil. Também defendemos a formação de joint ventures (associações de empresas) em Taiwan para investirem no Brasil. Temos alta tecnologia, algo de que o Brasil precisa", lembra Jorge. "Nossos produtos são complementares. O Brasil exporta matéria-prima, como soja, milho e minério. Nós exportamos produtos de alta tecnologia e de informática."
Taiwan é um grande produtor de smartphones, laptops, nobreaks e outros acessórios para a computação. Com o Brasil, mantêm um comércio bilateral estimado em US$ 6 bilhões a cada ano. "O investimento é uma base da amizade", acrescenta o embaixador taiuanês. A cooperação inclui intercâmbio entre funcionários públicos e universitários.
Retomada
Em 1945, Taiwan foi recuperada das mãos dos militares japoneses. Depois da Segunda Guerra Mundial, a ocupação japonesa foi derrubada pela República da China. O país reconquistou a jurisdição de seu governo.
