
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse ontem que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é “o chefe maior dos diabos”, depois de o mandatário norte-americano fazer comentários sobre a crise pós-eleitoral na Venezuela. “Estamos defendendo as instituições, a paz, a democracia, o povo da Venezuela. Podemos nos sentar com qualquer um, até com o chefe maior dos diabos, o senhor Obama”, declarou Maduro em um ato público. Na sexta-feira, em entrevista à imprensa na Costa Rica, Obama afirmou que “toda a região tem visto a violência, as manifestações e a repressão à oposição” que ocorrem na Venezuela nas últimas semanas.
Maduro responsabilizou o presidente norte-americano pela violência “planejada” registrada na Venezuela nos últimos dias, antes de empreender sua recente viagem por México e Costa Rica. Maduro fez a denúncia por meio de uma cadeia nacional obrigatória de rádio e televisão, na qual seu ministro das Relações Exteriores, Elías Jaua, leu um comunicado de rejeição a declarações de Obama no México. Nicolás Maduro afirmou que Obama, “chefia da direita” na Venezuela,e está por trás do “financiamento” da oposição para supostos projetos de desestabilização política”. Segundo Maduro, o próprio Obama, como fantoche desse poder imperial, está por trás do financiamento desta direita que quer destruir a democracia venezuelana, referindo-se ao opositor venezuelano Henrique Capriles, que, derrotado nas eleições do mês passado, pediu a impugnação do pleito.
Homenagem Maduro iniciou no sábado, com uma mensagem escrita no Twitter, as homenagens a Hugo Chávez previstas para ontem, quando se completam dois meses da morte do líder venezuelano, em decorrência de um câncer. “A dois meses de sua partida, chefe supremo, vamos com seu legado abrindo o caminho da pátria rumo ao socialismo”, escreveu Maduro, nomeado por Chávez seu sucessor, quando, em 8 de dezembro, em seu último discurso, admitiu a possibilidade de morrer ou ficar inabilitado como sequela da cirurgia à qual seria submetido dois dias depois.
A morte de Chávez, que em 7 de outubro de 2012 venceu as eleições que definiram o mandato presidencial 2013-2019, obrigou a realização de um novo pleito, realizado em 14 de abril, que Maduro ganhou por uma pequena margem de votos (menos de 2 pontos percentuais) e que o líder da oposição, Henrique Capriles, impugnou judicialmente ao denunciar uma fraude. Maduro anunciou que ao finalizar hoje uma cúpula da Petrocaribe, da qual também participam Bolívia e Equador, membros da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), os 20 governantes ou representantes dessas instâncias regionais presentes à reunião visitarão juntos o túmulo de Chávez, que fica no Quartel da Montanha, um centenário edifício situado na parte alta do Centro de Caracas, onde Chávez liderou em 1992 uma tentativa de golpe de Estado que o levou à fama ao admitir perante as câmeras de televisão o fracasso de sua tentativa, mas relativizando-o com um “por enquanto”. Chávez ganhou as eleições presidenciais de 1998, 2000, 2006 e 2012, o que lhe permitiu governar a Venezuela durante 14 anos.
ESPIÃO A Venezuela ignorou as críticas do presidente dos EUA, Barack Obama, e mantém preso em Caracas o norte-americano Timothy Tracy, de 35 anos – que se apresenta como cineasta –, acusado de ser um espião. Obama disse no sábado que a acusação contra Tracy é “ridícula”, mas o ministro do Interior venezuelano, Miguel Rodriguez, insistiu que os agentes de inteligência que o seguiam desde o final de 2012 coletaram provas de que ele estava conspirando com a oposição para desestabilizar o país.
