Obama quer retomar diálogo com os legisladores para mostrar que manter a prisão aberta é prejudicial aos interesses dos EUA Washington %u2013 O presidente de Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que retomará os esforços para conseguir a aprovação do Congresso para fechar a prisão de Guantánamo, que ele afirmou ser cara, ineficaz e uma ferramenta para recrutar extremistas. %u201CSigo achando que temos que fechá-la%u201D, disse Obama. Ele afirmou ainda que não deseja ver morto nenhum dos detentos que estão realizando greve de fome no complexo prisional. Obama prometeu fechar Guantánamo depois de ser eleito presidente em novembro de 2008. Para ele, a penitenciária não é necessária para garantir a segurança dos EUA. %u201CEla danifica nossa imagem internacional, reduz a cooperação com nossos aliados nos esforços antiterroristas%u201D, argumentou. Obama lamentou a falta de apoio do Congresso para conseguir esse objetivo e lembrou que a Justiça decidiu que vários presos em Guantánamo poderiam retornar a seus países de origem ou a outra nação. Obama adiantou que voltará a dialogar com os legisladores para mostrar que manter a prisão aberta é prejudicial para os interesses norte-americanos. %u201CA ideia de que vamos manter mais de 100 indivíduos em terra de ninguém perpetuamente, a ideia que manteremos indefinidamente indivíduos que não foram julgados é contrária ao que somos%u201D, acentuou. As declarações de Obama foram saudadas por organizações de defesa dos direitos humanos. %u201CO presidente Obama tem razão. Guantánamo não torna o país mais seguro e constitui um problema que seguirá se degradando se não for abordado%u201D, afirmou em um comunicado Daphen Eviatar, da Human Eights Watch. GREVE DE FOME Na segunda-feira, o governo dos EUA enviou uma equipe de médicos como reforço para gerenciar a greve de fome de quase 100 dos 166 detentos. Cerca de 40 membros do pessoal médico da Marinha norte-americana, entre especialistas e enfermeiras, chegaram ao complexo penal no fim de semana, anunciou o porta-voz de Guantánamo, tenente-coronel Samuel House. %u201CA chegada do pessoal foi planejada há várias semanas, enquanto cada vez mais réus decidiam protestar contra sua detenção%u201D, afirmou House. O porta-voz esclareceu que, desde o dia 27, nenhum outro preso se juntou à greve de fome. Já chega a 21 o número de detentos alimentados à força, por sonda nasogástrica, um a mais do que no sábado, acrescentou House. Outros cinco estão hospitalizados, mas nenhum corre risco de vida. A greve de fome, que entra em sua 12ª semana, começou em 6 de fevereiro, quando os presos consideraram uma profanação religiosa que os agentes penitenciários revistassem seus exemplares do Alcorão. A maioria está nessa situação há 11 anos. O presidente da Associação Médica norte-americana, Jeremy Lazarus, enviou na segunda-feira carta ao secretário da Defesa, Chuck Hagel, advertindo que vai contra a ética médica obrigar profissionais a alimentar à força presos de Guantánamo. Por sua vez, a senadora democrata Dianne Feinstein, presidente do Comité de Informações da Câmara Alta, apelou, na semana passada, à Casa Branca para que retome o processo de transferência de 86 detidos que receberam %u201Cluz verde%u201D para serem libertados da base de Guantánamo.
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Obama quer apressar o fim de Guantánamo
Presidente dos EUA anuncia que pressionará Congresso para aprovar fechamento da prisão em Cuba, reconhecendo que ela é cara e ineficaz, além de danificar a imagem do país
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