Roma – O político italiano de centro-esquerda Enrico Letta finalmente conseguiu um acordo para formar um governo de coalizão na Itália, depois de dois meses de impasse. Costurando uma aliança que inclui o bloco centro-esquerdista do Partido Democrático (PD) e o partido Povo da Liberdade (PL), do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, de centro-direita, Letta disse que suas prioridades serão a economia, o desemprego e a restauração da confiança nas instituições da Itália, assim como a tentativa de afastar a Europa da austeridade para focar em mais crescimento e investimento.
Uma eleição inconclusiva em fevereiro deixou a Itália, a terceira maior economia da Zona do Euro, sem um governo efetivo, ameaçando a confiança dos investidores e freando os esforços para acabar com uma recessão.
Letta, de 46 anos e vice-líder do Partido Democrático, disse que sentiu uma "sóbria satisfação", após três dias de negociações com os partidos rivais resultarem em um governo que inclui um número recorde de ministras e poucos políticos de grande popularidade. "Espero que esse governo possa começar a trabalhar rapidamente no espírito de cooperação fervorosa e sem qualquer preconceito ou conflito", disse o presidente, Giorgio Napolitano, depois da reunião com Letta em que foi comunicado da resolução. "Este era o único governo possível e sua formação não podia esperar", declarou Napolitano.
O líder do partido antissistema Movimento 5 Estrelas, Beppe Grilho, rejeitou unir-se a um governo que classificou de "limitado e incestuoso", dada a relação entre Letta e seu tio Gianni Letta, chefe de longa data do gabinete de Berlusconi. O novo gabinete, que Letta disse que terá um número recorde de mulheres, será empossado hoje, antes de um voto de confiança parlamentar, que deve ocorrer amanhã.
O secretário do PL, Angelino Alfano, será vice-primeiro-ministro e ministro do Interior, dando à centro-direita uma voz poderosa. No entanto, os grandes ministérios serão dominados por políticos menos populares ou tecnocratas, o que poderia limitar o poder de Letta para aprovar medidas impopulares, além de deixar um poderoso papel nos bastidores para Berlusconi, que não vai se juntar ao governo.
O diretor-geral do Banco da Itália, Fabrizio Saccomannim, será o novo ministro da Economia. Anna Maria Cancellieri, uma ex-autoridade da polícia que foi ministra do Interior no governo Monti, vai liderar o Ministério da Justiça, e o Ministério do Trabalho será conduzido por Enrico Giovannini, presidente da agência de estatísticas ISTAT. A ex-comissária europeia Emma Bonino será a primeira mulher a tornar-se ministra do Exterior e Cecile Kyenge, nascido no Congo e nomeado ministro da Integração, será o primeiro ministro negro do país.
O acordo desagrada a alguns setores do PD, que não concordam com a aliança com Berlusconi. O ex-premiê, porém, volta a se posicionar como figura imprescindível depois de ter sido desacreditado por escândalos sexuais e processos judiciais. Depois do anúncio, Berlusconi disse ter "atuado a favor da constituição do governo sem impor condições e sem excluir pessoas que foram ministros em governos anteriores".
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