A campanha oficial para eleger o sucessor de Hugo Chávez em 14 de abril teve início nesta terça-feira na Venezuela, com o candidato chavista Nicolás Maduro, favorito nas pesquisas, visitando a casa da família do falecido presidente na cidade de Sabaneta, estado Barinas, enquanto o opositor Henrique Capriles foi a Maturín.
Governo e oposição afirmam que a campanha eleitoral será intensa e com forte emoção pela morte recente de Chávez, em 5 de março após quase dois anos de luta contra um câncer. Os dois candidatos prometeram percorrer os 23 estados da Venezuela nos próximos 10 dias.
"Vamos cumprir o legado do presidente Chávez e seu testamento", declarou Maduro, 50 anos, acompanhado por centenas de simpatizantes, membros do governo e parte da família de Chávez na casa natal do falecido chefe de Estado, agora sede local do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
"Sabemos que andas voando livre, livre, que tua alma pura ganhou o céu, Cristo redentor dos pobres", disse Maduro sobre Chávez.
"Sentimos o comandante Chávez muito adentro, como um pai. Viemos fazer um compromisso com esta terra que o viu nascer e fazer o juramento de não falhar com ele nunca e ir até as últimas consequências na construção do socialismo", acrescentou Maduro.
O presidente interino, recordando o estilo do falecido presidente, cantou a música típica da região oeste do país, abraçou várias pessoas que o aguardavam em Sabaneta e percorreu as ruas da cidade em um jipe vermelho, cor associada ao chavismo.
Maduro agradeceu o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma mensagem divulgada na segunda-feira: "Não quero interferir em um assunto interno da Venezuela, mas não posso deixar de dar meu testemunho sincero de que Maduro é o presidente para a Venezuela que Chávez sonhou".
Seguindo a linha adotada desde a morte de Chávez, Maduro não poupou elogios em Sabaneta a seu padrinho político, que chamou de "profeta", "gigante da pátria" e "comandante supremo".
Todas as pesquisas divulgadas até o momento, incluindo uma atribuída ao renomado instituto Datanálisis, mostram Maduro com mais de 10 pontos de vantagem, mas a oposição considera que é difícil neste momento ter uma "fotografia nítida" das intenções de voto.
Henrique Capriles iniciou sua campanha com um rápido comício no noroeste do país, no qual prometeu "esperança e valentia" contra um governo que fará tudo para se perpetuar no poder.
"Aqui há esperança, há fé, mas também há valentia", disse Capriles para milhares de pessoas reunidas em Maturín, capital do estado de Monagas, sob um sol intenso.
"Eu vou deixar o couro nestes dez dias e nos próximos anos para levar este país para frente, mas quero que vocês deixem o couro comigo", declarou Capriles em um discurso de cerca de 20 minutos, no qual convocou o povo à lutar por cada voto.
"Aqui quem tem o poder vai fazer qualquer coisa para que a opinião de vocês não seja considerada, vão fazer de tudo para permanecer no poder", disse Capriles sobre os "chavistas", liderados pelo candidato e presidente interino Nicolas Maduro. "Mas se todos utilizarem sua 'força', não haverá poder na terra que possa nos vencer".
Chávez, que chegou ao poder em 1999 e foi eleito para um terceiro mandato em outubro de 2012, não teve condições de tomar posse em 10 de janeiro, como previa a Constituição venezuelana. Após sua morte, em 5 de março, foram convocadas eleições presidenciais para a escolha do sucessor, que deverá completar o mandato e governar até 10 de janeiro de 2019.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que a oposição acusa de ser parcial e favorecer o chavismo, pediu na segunda-feira que o processo aconteça em paz, em país dividido por razões políticas.
"Esta campanha será desenvolvida em um delicado contexto emocional, assim exigimos às partes que evitem exacerbações desnecessárias e que suprimam expressões que possam abalar o ambiente da eleição", declarou na segunda-feira a presidente do CNE, Tibisay Lucena.
