Washington – Três meses depois de ser reeleito, o presidente democrata dos Estados Unidos, Barack Obama, tenta aprovar projetos significativos em questões de economia, controle de armas e reforma imigratória, mas analistas dizem que ele terá apenas cerca de um ano para fazer isso. Depois, afirmam, as atenções de Washington se voltarão para a eleição legislativa de 2014, que pode colocar mais republicanos no Congresso e acelerar o processo de transformação de Obama em um “pato manco”, como são chamados os presidentes que chegam ao fim de mandato sem poderem disputar novamente a reeleição. “Ele basicamente tem um ano para grandes feitos legislativos, porque depois disso você entra nas eleições do meio do mandato, que serão parcialmente um referendo sobre a sua presidência”, disse Michele Swers, professora associada de governo americano na Universidade Georgetown.
Obama, que faria ontem à noite seu discurso anual do Estado da União, está de olho no calendário político e corre contra o tempo para aprovar medidas que definam seu legado na Casa Branca. Sua fala seria uma chance para impulsionar sua pauta legislativa dentro dessa janela temporal limitada. “Não quero dizer que será o último discurso importante que ele fará, mas a janela para um presidente em segundo mandato é bastante estreita”, disse Tony Fratto, que foi porta-voz do governo George W. Bush. Diante de um desemprego elevado e da iminência de um contingenciamento nos gastos públicos, fontes do governo dizem que Obama usaria o pronunciamento para pressionar o Congresso a apoiar suas propostas de estímulo econômico. É de grande interesse da Casa Branca mostrar que Obama tem tanto compromisso com a economia quanto com as reformas da imigração e do comércio de arma.
O porta-voz presidencial Jay Carney disse na segunda-feira que uma das linhas do presidente é trabalhar com um plano “para criar empregos e ampliar a classe média”. “Sua principal preocupação como presidente tem sido a necessidade de inicialmente reverter o devastador declínio na nossa economia, e então colocá-la em uma trajetória na qual cresça de forma que ajude a classe média, a torne mais segura e a faça se ampliar”, informou Carney. Mas, com uma Câmara dos Deputados dominada pela oposição republicana, Obama tem poucas chances de aprovar iniciativas econômicas de curto prazo que exijam gastos governamentais, segundo Jeffrey Bergstrand, professor de finanças da Universidade de Notre Dame e ex-economista do Federal Reserve (Banco Central dos EUA).
Assessores de Obama argumentam que sua ofensiva pela reforma imigratória também é uma questão econômica, e que o impulso por uma mudança nesse tema é maior do que em relação às outras prioridades do presidente. É esperado ainda que ele retire, em um ano, 34 mil soldados do Afeganistão.
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Obama corre para aprovar projetos
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