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Estado de Minas

Audiências sobre o controle de armas nos EUA começam com depoimento de ex-deputada


postado em 31/01/2013 07:00 / atualizado em 31/01/2013 07:45

Brasília – Os primeiros depoimentos no Senado norte-americano sobre o controle de armas no país sinalizaram que as discussões seguirão em tom acirrado e emocional. A ex-deputada democrata Gabrielle Giffords fez uma dramática participação ao inaugurar as audiências e exortou os congressistas a agir. "Sejam ousados, sejam corajosos. Os americanos contam com vocês", disse, diante da Comissão Judiciária do Senado. No contraponto, republicanos e ativistas contrários a medidas restritivas defenderam suas posições, entre eles Wayne LaPierre, vice-presidente da Associação Nacional do Rifle (NRA, por sua sigla em inglês), o maior lobby da indústria de armas em Washington. Ele criticou a checagem de antecedentes para a venda de armas, um dos pontos do pacote de medidas anunciado pelo presidente Barack Obama em 16 de janeiro.

Giffords chegou à comissão caminhando com dificuldade, amparada pelo marido, Mark Kelly, que também depôs. A ex-deputada foi baleada durante um tiroteio em massa, em janeiro de 2011, no estacionamento de um supermercado em Tucson, no Arizona. Ferida na cabeça, teve os movimentos e a fala prejudicados. O atentado matou seis pessoas. "Muitas crianças estão morrendo. Muitas crianças", reforçou a democrata, que este mês esteve com as famílias das vítimas do tiroteio em Newtown (Connecticut), no qual 26 pessoas foram mortas, entre elas 20 crianças, em 14 de dezembro. Em sua fala na comissão, Kelly mencionou um tiroteio que ocorria em Phoenix (Arizona) ao mesmo tempo. Pelo menos três pessoas foram baleadas quando um atirador invadiu um complexo de escritórios. Até ontem à noite, ele não havia sido detido. Depois da audiência, Giffords foi recebida por Obama na Casa Branca.

Democratas defensores de medidas restritivas falaram à comissão, mas a participação de LaPierre acirrou as discussões. Ele criticou as medidas apresentadas por Obama e se disse contrário à verificação de antecedentes criminais de compradores de armas. O executivo defendeu o aumento do número de seguranças armados nas escolas. "É hora de jogarmos um cobertor de segurança sobre nossas crianças."

Para analistas, os argumentos, apesar de não inéditos, deram o tom de como seguirão as discussões. "Foi um pouco do que ouviremos dos outros no Senado, mas esses argumentos não mudaram muito em 20 anos", disse o cientista político e diretor do Instituto de Política e Pesquisa de Opinião da Faculdade Roanoke (Salem, Virgínia), Harry Wilson. A NRA anunciou que ganhou mais de 500 mil membros após o massacre de Newtown e soma agora 4,5 milhões de adeptos.

O debate deve provocar controvérsias, porque mesmo que as propostas para o controle de armas prossiga no Congresso, que está bastante atarefado com questões fiscais e de imigração, algumas autoridades responsáveis pela aplicação das leis já ameaçaram não colocá-la em vigor em razão da simpatia pelos proprietários de armas.

Tendo em vista que as imagens da audiência serão transmitidas para todo o país, defensores e críticos das propostas de maior controle sobre a venda de armas pediram que seus partidários compareçam à sessão. A página do NRA na internet pediu que seus integrantes que chegassem com duas horas de antecedência para conseguir assentos e não levassem faixas ou cartazes. O BoldProgressives.org, que defende medidas mais restritivas, pediu a seus partidários que compareçam à audiência, afirmando que o NRA "vai tentar encher o recinto com seus membros para enganar o Congresso e fazê-lo acreditar que eles são a principal corrente".


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