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Estado de Minas

Condenações de 21 pessoas resultam em violentos protestos no Egito, com 26 mortos


postado em 27/01/2013 06:00 / atualizado em 27/01/2013 07:53

Pelo menos 26 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas ontem nos confrontos em Port Said, desencadeados depois que 21 pessoas foram condenadas à pena de morte pelos atos de violência que deixaram 74 mortos em 1º de fevereiro do ano passado em um estádio de futebol da cidade egípcia na costa mediterrânea, Nordeste do Egito. Esses confrontos ocorreram um dia após o segundo aniversário da revolução que depôs o então presidente Hosni Mubarak, cuja celebração também foi marcada pela violência entre manifestantes e policiais, com nove mortos e 530 feridos.


Ante os confrontos violentos e sangrentos em Port Said, o exército anunciou a mobilização dos militares na cidade para restabelecer a calma e proteger as instalações públicas. No Cairo, os familiares das vítimas que se encontravam na sala de audiências receberam o veredicto com gritos de alegria. Em 9 de março, o presidente do tribunal divulgará a sentença para os outros 52 acusados, entre eles nove policiais, julgados desde abril de 2012 por sua suposta responsabilidade nesses atos.
Em fevereiro do ano passado, as mortes ocorreram após uma partida de futebol entre o grande clube do Cairo, o Al-Ahly, e uma equipe local, o Al-Masry, que venceu o jogo por 3 a 1. Era a primeira derrota do Al-Ahly na temporada. Centenas de seguidores do Al-Masry invadiram o campo e lançaram pedras e garrafas contra os torcedores do Al-Ahly, cuja torcida organizada ameaçou as autoridades com ações violentas caso o veredicto não fosse severo. E foi o que ocorreu agora.
Depois dos violentos confrontos que ocorreram na sexta-feira, na celebração do segundo aniversário da revolução, o Exército mobilizou homens e tanques leves para proteger os edifícios da polícia e do governo em Suez, onde oito pessoas morreram. O Canal de Suez, via estratégica de água que une o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, não foi afetado pelos confrontos. No Cairo e em Alexandria (Norte), ocorreram também manifestações e confrontos.


A oposição egípcia ameaçou ontem boicotar as próximas eleições legislativas se os islamitas no poder não aplicarem uma solução global para a crise que o país sofre, sobretudo a formação de um governo de “salvação nacional”. Em um comunicado, a Frente de Salvação Nacional (FSN), principal coalizão opositora, atribui ao presidente Mohamed Mursi “toda a responsabilidade pela força excessiva empregada pelos serviços de segurança contra os manifestantes”. Mursi, por sua vez, convocou seus compatriotas a rejeitarem a violência e prometeu que os responsáveis por esses confrontos serão levados à Justiça. A ira dos manifestantes está dirigida contra Mursi e a Irmandade Muçulmana, grupo do qual o presidente faz parte, acusado de ter fracassado na revolução que lhe permitiu chegar ao poder pela primeira vez por meio de eleições presidenciais democráticas.

CONSTITUIÇÃO

As tensões começaram a se intensificar no país principalmente a partir de novembro, quando Mursi assinou um decreto impedindo que suas decisões fossem revogadas por qualquer autoridade, incluindo a Justiça. O objetivo do presidente era acelerar a aprovação da nova Constituição, que começou a ser elaborada em março de 2012. O processo de redação da nova Carta foi atrasado por uma decisão judicial que dissolveu a primeira Assembleia Constituinte, em meio a acusações de que ela estaria dominada pela Irmandade Muçulmana.


Em junho, os partidos políticos em princípio concordaram sobre a composição de uma nova Assembleia Constituinte, mas políticos liberais e seculares continuaram a reclamar sobre a distribuição dos assentos e resolveram boicotar as sessões. Livres de grandes resistências na Casa, constituintes pró-Mursi aprovaram um novo projeto de Constituição, ao qual se opõem os manifestantes que tomaram as ruas do Cairo e Suez na sexta-feira e voltaram a elas, ontem.


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