As acusações de execuções sumárias cometidas por soldados malinenses no oeste e no centro do Mali se multiplicam no décimo terceiro dia da intervenção militar francesa contra os grupos islamitas armados que controlam o norte do país.
A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) acusou nesta quarta-feira os soldados do Exército malinense de terem praticado "uma série de execuções sumárias" no oeste e no centro do Mali e exige a criação "imediata" de uma comissão de investigação independente.
Pelo menos 11 pessoas foram executadas em Sevare (650 km a nordeste de Bamaco), no acampamento militar do Exército do Mali, indicou a organização não-governamental que investiga há vários dias estes casos que até agora não foram confirmados.
"Obtivemos testemunhos concordantes de fontes locais e temos as identidades de onze vítimas", afirmou Florent Geel, diretor de África da FIDH, que está no Mali.
Já a ONG Human Rights Watch (HRW), que pediu o envio de observadores da ONU, indicou que está investigando "denúncias de graves abusos envolvendo membros do Exército malinense".
Treze dias depois do início da intervenção francesa que conteve o avanço dos grupos islamitas para o sul, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, saudou a "valente" intervenção francesa no Mali, mas reiterou seu temor em relação ao impacto da operação nos civis e nos direitos humanos.
A União Europeia manifestou sua "grande preocupação" nesta quarta-feira com as informações sobre possíveis execuções sumárias no Mali, segundo indicou em Uagadugu, capital de Burkina Faso, a comissária europeia para Ajuda Humanitária, Kristalina Georgieva.
A França garante que não há "indício algum" de abusos contra as comunidades tuaregue e árabe por parte das forças malinenses, ao contrário de algumas revelações da imprensa.
O ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, pediu nesta quarta-feira que o comando militar malinense mantenha uma "vigilância extrema" diante dos riscos de abusos, já que sua "honra está em jogo".
"O Exército deve ser irrepreensível e não vamos tolerar atos que condenamos dos terroristas", indicou na noite desta quarta-feira o Governo malinense em um comunicado.
Nesta quarta-feira os soldados franceses e malinenses começaram a retirar as minas das cidades recentemente conquistadas no Mali e levar para Bamaco as armas e munições abandonadas pelos insurgentes islamitas.
As tropas de ambos os países buscavam armas em Diabali (400 km a nordeste de Bamaco), localidade retomada na segunda dos islamitas pelo Exército malinense com o apoio de tropas francesas.
Mais de 2.300 soldados franceses já estão mobilizados no Mali, número que vai aumentar, principalmente depois que Paris obteve na segunda-feira a ajuda dos Estados Unidos no transporte de tropas e material da França para a África Ocidental.
Enquanto isso, as primeiras unidades da Missão Internacional de Apoio ao Mali (MISMA) "começaram" a se deslocar em direção ao centro do país, anunciou o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius.
A MISMA somava nesta quarta em Bamaco cerca de 1.600 homens de 5.800 militares prometidos.
O presidente da União Africana e governante do Benin, Thomas Boni Yayi, pediu novamente nesta quarta em Berlim o envolvimento no conflito de todos os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Mas a chanceler Angela Merkel descartou novamente o envio de soldados alemães ao Mali.
Em Moscou, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, esclareceu que a Rússia não propôs oficialmente à França contribuir com o transporte de tropas para o Mali e se limitou a entrar em contato com empresas privadas russas.
Já o Japão, ainda comovido com a morte de sete japoneses no ataque contra o campo de gás na Argélia, na ação de sequestro de islamitas que disseram agir em represália para guerra no Mali, decidiu nesta quarta-feira fechar temporariamente sua embaixada em Bamaco devido à "degradação das condições de segurança", segundo um comunicado do ministério das Relações Exteriores.
