Dili – Depois de 13 anos mantendo presença no país, as tropas da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) baixaram sua bandeira e retiraram seus últimos militares que permaneciam no Timor Leste. A missão, que contou com a presença de cerca de 1,5 mil soldados e policiais da ONU, vai manter uma "equipe de liquidação" de 79 oficiais vai permanecer para encerrar as últimas ações. A missão começou a retirar suas tropas em outubro, quando a polícia nacional assumiu a responsabilidade pela segurança, após eleições pacíficas para presidente e para o Parlamento.
O chefe da missão, o dinamarquês Finn Reske-Nielsen, declarou à emissora Rádio Austrália, que desde que foram criadas, as forças ajudaram a produzir avanços para que haja mais segurança e um maior clima de paz no país. "O povo timorense e seus líderes têm demonstrado coragem e uma inabalável vontade de superar os grandes desafios que virão," disse Reske-Nielsen. "Apesar de haver muito trabalho pela frente, este é um momento histórico que consagra um progresso já concluído", afirmou acrescentando que ainda há desafios.
Embora mais estável, o país mantém alguns focos de violência, depois de uma década da independência. As Nações Unidas, que organizaram o referendo que em 1999 representou o fim de quase meio século de ocupação indonésia, administrou o Timor Leste até que em 2002 a independência foi declarada e o primeiro governo formado. E após tutelar a transição até 2005, retornou no ano seguinte quando o governo timorense se viu obrigado a solicitar ajuda à comunidade internacional para sufocar uma onda de violência que esteve à beira de afundar o país em uma guerra civil.
Analistas consideram que há poucas indicações de que possa haver uma retomada da violência a curto prazo, mas as instituições públicas, incluindo a força policial e o setor judiciário, permanecem frágeis. Também há fortes preocupações de que a pobreza, os altos índices de desemprego entre os jovens e uma população que cresce rapidamente possam levar a um aumento da violência. Críticos do governo destacam a forte dependência da economia timorense das reservas de petróleo e gás, que, segundo eles, beneficiam mais as populações urbanas de Timor do que os empobrecidos dos campos. A metade dos timorenses vive abaixo da linha da pobreza e 40% dos jovens está desempregada, de acordo com dados da organização australiana AusAid.
A ONU desempenhou um papel-chave na independência do Timor Leste, organizando a votação que encerrou 24 anos de domínio da Indonésia, que ocupou o país após a saída dos portugueses em 1975. O brutal domínio indonésio causou a morte de 183 mil pessoas – um quarto da população na época.
