
Genebra/Damasco – O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) anunciou que mais de 500 mil sírios foram registrados como refugiados ou estão em processo de registro em quatro países vizinhos à Síria ou nos países do Norte da África. O número de refugiados sírios registrados nas proximidades da região subiu para 3,2 mil por dia em novembro, e perto de mil sírios cruzaram a fronteira para a Jordânia apenas nas últimas duas noites, informou a agência da ONU. Além disso, de acordo com o Acnur, um grande número de sírios cruzaram a fronteira para países vizinhos, mas ainda não apareceram para se registrar na condição de refugiados e receber assistência.
Uma aldeia de maioria alauíta, a mesma corrente do islamismo do presidente sírio, Bashar al-Assad, foi atacada ontem. A aldeia de Aqrab, no Centro do país, está em uma região onde vivem populações de vários segmentos religiosos. De acordo com o grupo Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), 125 pessoas foram mortas ou feridas. "Não é possível no momento saber se os rebeldes estão por trás desses ataques, mas se for o caso, trata-se da maior operação de represálias por parte dos insurgentes" contra civis alauitas, declarou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.
Os Estados Unidos incluíram a Jabhat al-Nusra (Frente para a Vitória), originada, segundo o governo americano, a partir da Al-Qaeda no Iraque, em sua lista de organizações terroristas estrangeiras e congelaram os bens de dois de seus chefes. A Al-Nusra, desconhecida antes da revolta síria, está presente em quase todas as regiões de conflito no país e reivindicou a autoria de diversos atentados suicidas. Na segunda-feira, participou da conquista da Base Militar Xeque Suileiman com outros grupos rebeldes.
A decisão norte-americana é parte de um pacote que tem como objetivo ajudar a liderança do recém-formado Conselho Opositor Sírio a melhorar sua posição e credibilidade, à medida que avança no planejamento de um futuro pós-Assad. Dois jornais britânicos – The Independent e The Guardian – relataram ontem que o Reino Unido estaria se organizando para ajudar rebeldes sírios, com um plano para garantir treinamento militar e apoio por mar e ar. De acordo com o Independent, há uma forte crença no Ocidente de que a intervenção é de alguma forma necessária para influenciar o futuro político da Síria.
Contrariando as diversas acusações de que o governo de Al-Assad estaria se preparando para usar armas químicas, o secretário da Defesa Leon Panetta declarou que serviço de inteligência dos EUA não detectou novos indícios de que a Síria esteja planejando usá-las contra as forças rebeldes. Na quinta-feira, o vice-chanceler sírio, Faisal Maqdad, acusou as potências ocidentais de usar a suspeita para justificar uma intervenção militar.
