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Estado de Minas

Rivais veem piora de Hugo Chávez como chance para articulação.

Eleições regionais previstas para domingo podem consolidar nome de opositor para disputa presidencial


postado em 12/12/2012 00:12 / atualizado em 12/12/2012 07:48

 

Milhares de chavistas participam de missa ao ar livre no Centro de Caracas, pedindo pela recuperação do presidente: comoção nacional(foto: AFP PHOTO/JUAN BARRETO )
Milhares de chavistas participam de missa ao ar livre no Centro de Caracas, pedindo pela recuperação do presidente: comoção nacional (foto: AFP PHOTO/JUAN BARRETO )

Brasília – Enquanto o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, atravessa um momento de fragilidade em decorrência de sua luta contra o câncer, a oposição vê um momento para consolidar sua força política. O líder ausentou-se de Caracas para se submeter a um tratamento, em Cuba, na última semana de campanha das eleições regionais, marcadas para domingo. A quarta cirurgia em 18 meses teve início no fim da tarde de ontem (hora local).


Até o fechamento desta edição, Chávez, de 58 anos, ainda estava na mesa de cirurgia. Mais cedo, porém, o presidente do Equador, Rafael Correa, por volta do meio-dia, afirmou que o líder venezuelano era operado "naquele instante". Correa chegou ontem ao seu país depois de visitar Chávez em um hospital de Havana, em Cuba, onde tem ido regularmente para se tratar desde a descoberta da doença. Por meio de comunicado transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, o ministro de Comunicação e Informação, Ernesto Villegas, disse que o presidente estava "com muita força e inspiração, com a mente sempre focada no bem-estar do povo e no destino da pátria, mostrando absoluta confiança de que vencerá os obstáculos que têm surgido no caminho da vida". Na noite do último sábado, Chávez anunciou que o câncer havia voltado e que teria de passar por uma "cirurgia imprescindível" em Cuba.


A doença de Chávez pode mexer com a balança política nas eleições regionais de domingo. Pesquisas mostram que o governador Henrique Capriles é o favorito em Miranda, um dos principais departamentos (estados) em disputa. Capriles enfrentou Chávez no pleito presidencial de outubro e, apesar de ter sido derrotado, seu desempenho – 44% dos votos – foi considerado o melhor da oposição desde a chegada do líder bolivariano ao poder, há 14 anos. Se o presidente não estiver apto a tomar posse em 10 de janeiro, como determina a Constituição do país, um novo pleito será realizado em 30 dias. Candidato único da oposição, Capriles é o mais cotado para disputá-lo.


Diretor do Centro de Investigação em Políticas Comparadas da Universidad de Los Andes (em Caracas), Alfredo Ezequiel Ramos Jiménez, afirmou que se a oposição conseguir manter ou ampliar seu poder regional – atualmente, governa sete dos 24 estados –, demonstrará mais força para disputar uma nova eleição presidencial. Segundo o cientista político, a gravidade da doença de Chávez favoreceu os candidatos estaduais da oposição. "Os candidatos chavistas, que pareciam fortes, estão mais reclusos. Há um tipo de desmoralização no partido nesse momento", afirmou.


A situação é mais emblemática para Capriles, que governa Miranda, o segundo estado mais populoso e vizinho a Caracas. As pesquisas de intenção de voto apontam seu favoritismo. De olho no resultado dessa importante localidade, logo depois das eleições de outubro, Chávez designou o então vice-presidente Elías Jaua para enfrentar o opositor. No lugar de Jaua, assumiu o chanceler Nicolás Maduro, anunciado pelo próprio presidente o herdeiro do chavismo, no último domingo. Pela primeira vez, em 14 anos, um vice-presidente ocupa a Presidência da Venezuela interinamente.


Capriles foi escolhido candidato único de uma coligação de partidos opositores, a Mesa da Unidade Democrática (MUD), criada para enfrentar o carismático presidente nas urnas. Embora Chávez tenha vencido, a oposição ultrapassou a marca de 40% dos votos mantida desde 1998, início do governo bolivariano. Capriles obteve 6,5 milhões de votos. No caso da ausência política do presidente, segundo Jiménez, as chances do governador aumentam em uma disputa com Maduro. O diretor observou que, sem a figura forte de Chávez, outros candidatos acreditarão ter chances de enfrentar o herdeiro chavista. Por isso, para se manter como líder opositor, a vitória em Miranda é vital para Capriles.


Em mais de 14 anos no poder, Chávez personificou seu projeto político para a Venezuela. O pedido por unidade em torno de Maduro pode não ter sido suficiente para transferir seu capital político ao nome governista. Seu esforço para institucionalizar o que chamou de "socialismo do século 21" nos últimos dias pode ter ajudado a aplacar dúvidas sobre o vice, como afirmaram analistas políticos venezuelanos. Mas ele não sana todas as divisões, como salientou Jiménez, acrescentando que elas ficam evidentes entre os dois lados do chavismo, o civil e o militar. "Existem rumores na Venezuela apontando que o setor civil já estaria em conversações com a oposição", disse.


Desde o anúncio de Chávez reconhecendo a gravidade da doença, no sábado, a oposição culpou o governo por ter escondido a verdade. Ontem, em entrevista ao jornal espanhol ABC, o secretário da MUD, Ramón Guillermo Aveledo, criticou o "segredo" em torno da saúde de Chávez e disse que o presidente não atuou com "transparência". O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, acusou os membros da oposição de serem "mórbidos" por insistirem em pedir as informações sobre o câncer do presidente.


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