O vazamento de uma centena de cartas e documentos confidenciais enviados para o papa Bento XVI sobre questões internas demonstra a "vontade de limpeza" dentro do Vaticano, segundo Gianluigi Nuzzi, autor do livro "Sua Santidade, as Cartas Secretas de Bento XVI".
"Há uma vontade de limpeza", afirma Nuzzi, "são pessoas que vivem há anos no Vaticano e que querem expulsar os mercadores do templo", afirmou nesta quarta-feira durante uma coletiva de imprensa realizada na sede da associação de correspondentes estrangeiros.
"Todos confiam no Santo Padre" e sofrem por ter "violado a obrigação de manter o segredo", diz.
O autor do mais comprometedor vazamento de documentos na história recente do Vaticano, que por isso anunciou ações legais contra o que qualificou de crime, afirmou que "não pagou a ninguém nem um euro" para obter essas cartas.
"Não é um livro contra a Igreja, nem a fé, nem o Santo Padre", enfatizou Nuzzi. O livro descreve, de fato, as manobras e confabulações dentro do Vaticano e inclui relatórios internos enviados ao Papa sobre políticos italianos, como Silvio Berlusconi e o presidente da República Giorgio Napolitano.
O jornalista possivelmente teve acesso aos documentos através de funcionários da Secretaria de Estado, já que alguns levam o selo "Reservado" ou foram produzidos pela mesma secretaria.
Durante a apresentação do livro, o teólogo progressista Vito Mancuso considerou que "não há dúvidas" de que tais vazamentos têm como objetivo desqualificar o número dois da Santa Sé, o secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, teoria não compartilhada por Nuzzi.
O jornalista destacou que não mantém mais contatos com seus informantes e descartou a ideia de que seu trabalho possa ser comparado com o escândalo em 2010 do Wikileaks quando foram divulgados por internet documentos secretos do Departamento de Estado americano.
"Nesse caso foi violada a segurança de um país, aqui se trata de uma investigação, de um trabalho de documentação", argumenta.
