
O general Martin Dempsey, que deverá ser confirmado como chefe do Estado Maior dos Estados Unidos, considerou nesta quarta-feira, em Londres, que as forças americanas têm que se adaptar a um mundo em plena transformação após a "primavera árabe" e a morte de Osama Bin Laden.
Em seu primeiro discurso público desde que foi designado na segunda-feira pelo presidente Barack Obama, o general Dempsey disse que a morte de Bin Laden foi importante para "afetar a liderança da Al-Qaeda e criar dificultades para a organização", destacando que, de alguma maneira, a Al-Qaeda agora é um grupo "sem líder", mas pode se recuperar de maneira inesperada.
"Não acredito que já tenhamos vencido, mas isso pode significar um possível desaparecimento do grupo no futuro" disse em um evento organizado pelo Royal United Services Institute (RUSI), um centro de estudos londrino especializado em assuntos de defesa e segurança.
O general americano afirmou também que as forças armadas devem se adaptar aos acontecimentos como as revoluções que estão ocorrendo ao longo deste ano no mundo árabe.
"O Facebook e as redes sociais derrubaram (o presidente egípcio Hosni) Mubarak, a partir de uma organização que surgiu sem líder e foi batizada de primavera árabe. As coisas podem acontecer muito mais rápido do que no passado", afirmou.
"Neste contexto, estamos tratando de construir um exército que cumpra com estes requisitos", acrescentou.
Quanto ao Afganistão, o general Dempsey disse que foram registrados "muitos progressos no nível tático", mas estes são "difíceis de serem conectados com os avanços em nível nacional".
De acordo com o cronograma, as forças americanas devem ser retiradas do Afeganistão no mês de julho, transferindo a responsabilidade pela manutenção de paz para a Otan e, depois, para as forças afegãs no fim de 2014.
Dempsey, general de quatro estrelas de 59 anos que exerce desde abril o comando do exército americano, será o sucessor do almirante Mike Mullen, se a nomeação for confirmada pelo Senado dos EUA.
