Uma missão humanitária da ONU obteve nesta quinta-feira autorização da Síria para viajar a Deraa e averiguar as condições em que se encontram os habitantes da cidade, que têm sofrido com a onda de protestos contra o regime do ditador Bashar al Asad, iniciada em março. Segundo a Organizações de Direitos Humanos, cerca de 300 pessoas morreram desde o início das manifestações e cerca de 5 mil foram presas. O pedido para o acesso havia sido feito na quarta-feira pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alegando a necessidade urgente de se avaliar as necessidades humanitárias das populações civis afetadas. "Obtivemos o acesso e uma equipe humanitária de avaliação irá a Deraa nos próximos dias", disse à imprensa o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq.
O exército sírio começou a sair de Deraa nesta quinta-feira, mas as forças de segurança dão seguimento a sua campanha de detenções, principalmente em Saqba, subúrbio de Damasco, onde 300 pessoas foram detidas. Apesar do assédio contra outras cidades e das prisões em massa, os opositores já convocaram novas manifestações para sexta-feira. "Sexta-feira de desafio, 6 de maio de 2011, na Síria: a liberdade se aproxima, o povo quer derrubar o regime", diz o site "The Syrian Revolution 2011", criado por jovens militantes. Em Deraa, 350 soldados a bordo de 20 caminhões seguidos de outros veículos de transporte de tropas, carregando pôsteres do presidente Assad, deixaram a cidade, localizada a 100 km de Damasco, por volta das 04H00 de Brasília. "Iniciamos nossa saída após ter cumprido com nossa missão", afirmou o general Haddad, diretor do departamento político do exército, acrescentando que "o exército terá se retirado completamente de Deraa antes do fim do dia". "Não enfrentamos manifestantes, perseguimos grupos terroristas escondidos em vários locais. Como exército, jamais enfrentamos os manifestantes, nunca utilizamos armas pesadas, salvo armas automáticas", destacou. O militar mostrou prédios em construção na entrada da cidade - onde, segundo ele, franco-atiradores emboscados se escondiam -, e afirmou que o exército os enfrentou com tiros no primeiro dia da operação de assédio a Deraa em 25 de abril. Vinte e cinco militares foram mortos nesta operação, e 177 ficaram feridos. O número de pessoas "detidas ou desaparecidas pode superar 8.000" na Síria, alertou na terça-feira Wissam Tarif, diretor executivo da organização de direitos humanos Insan. A repressão causou 600 mortos, a maioria em Deraa, segundo várias ONGs. Em Saqba, perto de Damasco, "mais de 300 pessoas foram detidas" na manhã desta quinta-feira, "entre elas vários líderes religiosos, pelos serviços de segurança apoiados pelo exército", indicou à AFP um ativista, contactado por telefone em Nicósia. Mais de 2.000 membros dos serviços de segurança e do exército participaram destas detenções, segundo a mesma fonte. Sete habitantes morreram em Saqba desde março, acrescentou. Também nesta quinta-feira, as autoridades mobilizaram blindados com vários reforços de tropas em torno de Banias, também sitiada há uma semana. Na noite de quarta, 161 tanques e veículos de transporte de tropas se reuniram em torno de Al Rastan e Talbisseh, duas localidades a norte de Homs, onde o movimento de protesto se ampliou consideravelmente, segundo os ativistas dos direitos humanos.
Publicidade
Missão humanitária da ONU visitará a cidade de Deraa, na Síria
Publicidade
