
Autoridades de segurança libanesas disseram que centenas de pessoas cruzaram a fronteira entre Síria e Líbano nesta quinta-feira fugindo da violência em território sírio, que há semanas é palco de confrontos entre manifestantes que pedem mudanças no governo e as forças fieis ao presidente Bashar Al-Assad.
Segundo os relatos, as pessoas que entraram no norte do Líbano, em sua maioria mulheres e crianças, estavam fugindo de tiroteios na cidade síria de Tell Kalakh, perto da fronteira.
A agência estatal de notícias síria disse que um “grupo armado terrorista” atacou a polícia nas proximidades da cidade, matando duas pessoas e ferindo cinco.
Há relatos de mais protestos e disparos em outras partes do país, como em cidades ao norte da capital, Damasco, enquanto os manifestantes se preparam para realizar um "dia de fúria" nesta sexta-feira.
Na jornada de protestos, os manifestantes pretendem dar apoio aos insurgentes de Deraa e pedir a saída de Assad, que está há 11 anos no poder.
Ativistas pró-direitos humanos estimam que cerca de 500 pessoas já foram mortas na Síria devido à repressão à onda de manifestações. Este número não pode ser confirmado de maneira independente, já que jornalistas estrangeiros são proibidos de entrar no país.
Mortes
Segundo o correspondente da BBC em Beirute Jim Muir, o fornecimento de água e de energia elétrica foram cortados em Deraa, assim como os sistemas de comunicação.
Deraa foi o local onde começaram as manifestações contra o presidente sírio, Bashar Al-Assad, seis semanas atrás.
Na fronteira entre a Síria e a Jordânia, perto de Deraa, muitos cidadãos do lado jordaniano se mostram nervosos com a situação de parentes e amigos que residem na cidade.
O correspondente da BBC Matthew Price, que está no lado jordaniano da fronteira, nega que exista um "êxodo" de sírios, e diz que as pessoas que conseguem atravessar a fronteira parecem muito nervosas para falar, com muitos relatando que a estrada que vai até Damasco está "calma".
Nesta quarta-feira, mais de 200 membros do partido governista sírio Baath anunciaram sua demissão coletiva, em protesto contra a repressão do governo contra manifestantes em Deraa.
