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Estado de Minas

Liz Taylor mergulhou como poucas atrizes no universo de suas personagens

A vida social agitada, doenças, amores e amizades renderam manchetes à diva


postado em 24/03/2011 08:09 / atualizado em 24/03/2011 08:18

Para seus fãs, Elizabeth Taylor nasceu numa categoria de intérpretes que o cinema americano venera como poucas outras, a criança-prodígio. Ela estreou em 1942, na comédia curta There’s one born every minute, aos 10 anos. Conquistou o público logo de cara, o que convenceu a MGM, então o mais importante estúdio de Hollywood, a roubá-la da Universal. Entrou na nova casa por cima, como uma das estrelas da série em que a MGM depositava confiança na conquista do público jovem, Lassie. Ao completar 18 no início de 1950, já havia participado de clássicos como Jane Eyre, A mocidade é assim, Nossa vida com papai, Quatro destinos e O pai da noiva. Ao longo dos anos 1950, o rosto angelical e os olhos violeta viraram padrão de beleza para as mulheres de todo o mundo. Nos anos 1960, com Cleópatra, tornou-se a atriz mais bem remunerada da história do cinema.

Muita gente se pergunta como a menininha mimada dos anos 1940 ou a mulher de temperamento difícil e saúde frágil das décadas seguintes se tornou uma das maiores estrelas que o mundo conheceu. A chave para entender isso pode estar na história sobre como chegou a seu melhor desempenho, a Martha de Quem tem medo de Virginia Woolf. O leitor sabe como o mundo é cruel com as mulheres, como exige delas a beleza como pré-requisito para o sucesso. Quando começou a se preparar para Quem tem medo de Virginia Woolf, Liz Taylor já passara dos 30, e tinha a saúde mais frágil do que nunca. Sabia que qualquer alteração drástica em seu corpo, àquela altura, representaria a perda da beleza e o colapso da saúde. Não hesitou e entrou numa dieta para engordar drasticamente, 15 quilos, de modo a interpretar uma personagem bem mais velha, mais robusta e mais feia. O prognóstico dos médicos tornou-se realidade: seu corpo nunca mais retornou ao que era. O prognóstico da atriz, felizmente, também se confirmou: Martha permanece, ainda hoje, como uma das maiores interpretações da história do cinema.

Quem tem medo de Virginia Woolf expôs a essência da relação entre Liz Taylor e suas personagens. O mergulho destemido, que colocava em risco o corpo e a mente da atriz, já era parte de sua estratégia de interpretação em obras-primas dos anos 1950, como Rapsódia, Assim caminha a humanidade, Gata em teto de zinco quente ou De repente, no último verão. Prosseguiu depois de Virginia Woolf nos últimos grandes papéis dela antes de começar, lentamente, a se afastar das telas, Os pecados de todos nós, Cerimônia secreta, O homem que veio de longe. Em todos esses, o destemor é a tônica. Vemos na tela uma atriz que não tem receio de se machucar, nem por dentro nem por fora, que assume os riscos e vai a qualquer extremo por seu trabalho.

Liz Taylor continuou estrela mesmo depois de abandonar os papéis principais. Continuou no noticiário, talvez por ter levado o mesmo comportamento ousado para outros setores de sua vida. Nas relações amorosas – a mais célebre com o ator Richard Burton –, não tinha o menor pudor de viver em público tanto os melhores quanto os piores momentos.

Nas relações sociais, mergulhou com a mesma intensidade nas relações com amigos (como ao permanecer ao lado de Michael Jackson no momento em que a reputação dele estava em baixa depois de diversos escândalos) ou com causas – foi uma das pioneiras no apoio à luta contra a aids, num momento em que quase ninguém importante tinha coragem de associar seu nome à doença. Liz Taylor venceu no cinema e na vida por não temer, na ficção ou no mundo real, papéis que assustariam a maior parte das pessoas.

Entre tapas e beijos

Há quem garanta: Richard Burton e Liz Taylor inauguraram a cultura da celebridade, tão em voga neste século 21. Na década de 1960, Richard era casado com Sybil. Liz com Eddie Fisher, o homem que ela roubara da amiga Debbie Reynolds quando ficou viúva de Mike Todd. O caso dos dois, entretanto, alimentava colunas de fofocas.
Em 1962, o escândalo: Liz tentou o suicídio depois de Burton se negar a abandonar a mulher. Mas não demorou para o casal de atores ser flagrado aos beijos, na Itália, onde Cleópatra seria filmado.

Burton pediu o divórcio, mas Liz e Eddie só se separariam em 1964, ano em que o casal nº 1 do cinema (e dos tabloides) passou a ser oficial. Não demorou para a dupla, às voltas com a bebida, ser o alvo diário dos paparazzi. Barracos em público, porres e presentes milionários, como as joias que Liz recebia, renderam páginas de jornais, revistas e publicações de mexericos. Em 1973, Liz anuncia o divórcio. Dois anos depois, vem a reconciliação, em meio a internações hospitalares de ambos os lados – ele, por alcoolismo; ela por crises de saúde. Nova separação mais adiante.

A dupla subiu ao palco, em 1983, para encenar Private lives, de Noel Coward. O público foi conferir a história do casal separado que se reencontra – leia-se, Liz e Burton da vida real. Em 1984, veio o “the end” definitivo, com a morte de Richard Burton.

Os maridos de Liz

. Conrad “Nicky” Nicholson Hilton, Jr. (1926-1969). Casamento durou de 1950 a 1951. Empresário texano, atuou no setor de hotelaria e aviação.

. Michael Wilding (1912-1979). De 1952 a 1957. Ator inglês, trabalhou principalmente em produções britânicas entre os anos 1940 e 1950.

. Michael Todd (1909-1958). De 1957 a 1958. Produtor norte-americano, ganhou o Oscar por A volta ao mundo em 80 dias. O casamento com Taylor durou até a morte dele, em 22 de março de 1958, em acidente aéreo.

. Eddie Fisher (1928-2010). De 1959 a 1964. Cantor norte-americano. Divorciou-se da atriz Debbie Reynolds para se casar com Taylor, então viúva de seu melhor amigo.

. Richard Burton (1925-1984). De 1964 a 1974; de 1975 a 1976. Ator galês. Indicado sete vezes ao Oscar, Burton atuou com Elizabeth Taylor em diversos filmes, como Quem tem medo de Virginia Woolf? e Megera domada. O relacionamento foi conturbado e ambos permaneceram separados por seis meses. Nos anos 1970, ainda casada, Taylor se envolveu com o embaixador iraniano nos EUA, Ardeshir Zahedi.

. John Warner. De 1976 a 1982. Político do Partido Republicano, foi secretário da Marinha entre 1972 e 1974 e senador entre 1979 e 2009.

. Larry Fortensky. De 1991 a 1996. O casamento com o caminhoneiro foi celebrado no rancho Neverland, de Michael Jackson, e desfeito depois de a atriz alegar “diferenças irreconciliáveis”.

Filmografia

1942 – There’s one born every minute
1943 – Lassie e a força do coração
1943 – Jane Eyre
1944 – Evocação
1944 – A mocidade é assim mesmo
1946 – A coragem de Lassie
1949 – Mulherzinhas
1950 – O pai da noiva
1951 – Um lugar ao sol
1951 – Quo vadis
1952 – Ivanhoe
1954 – O belo Brummell
1956 – Assim caminha a humanidade
1958 – Gata em teto de zinco quente
1959 – De repente, no último verão
1960 – Disque Butterfield 8 (Oscar de melhor atriz)
1963 – Cleópatra (primeiro filme com Richard Burton)
1963 – Gente muito importante
1966 – Quem tem medo de Virginia Woolf?
1967 – A megera domada
1967 – Doutor Faustus
1967 – O pecado de todos nós
1967 – Os farsantes
1968 – O homem que vem de longe
1969 – Ana dos mil dias
1972 – X, Y e Z
1980 – O espelho quebrado
1981 – General Hospital (novela)
1984 – All my children (novela)
1989 – Doce pássaro da juventude
1992 – Os Simpsons (como ela mesma e a voz da Maggie)
1994 – Os Flintstones (filme baseado na animação)
1996 – The Nanny (série de TV)


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