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Estado de Minas

Morgan Freeman interpretou presidente negro na década de 90


07/11/2008 08:40 - atualizado 08/01/2010 04:06

Em Impacto profundo, o ator Morgan Freeman experimentou a sensação de estar no topo do poder, em Washington
Em Impacto profundo, o ator Morgan Freeman experimentou a sensação de estar no topo do poder, em Washington (foto: Paul J. Richards/AFP)

Não é bem o caso de dizer que a vida imita a arte, mas é preciso reconhecer que Hollywood e a indústria do entretenimento nos Estados Unidos já vinham elegendo havia tempos seus presidentes negros. A eleição de Barack Obama como o primeiro afro-americano a ocupar a Casa Branca, e que deve inspirar não apenas filmes, mas séries e documentários, foi precedida, nas telas, por papéis representados por astros como Morgan Freeman, Eddie Murphy e Chris Rock.

Curiosamente, no cinema e na TV, presidentes negros estão invariavelmente associados a personagens cômicos ou a tragédias planetárias, o que levou o humorista Jon Stewart, durante a última cerimônia do Oscar, a dizer que, "normalmente, quando se vê um homem negro ou uma mulher como presidente, um asteróide está prestes a atingir a Estátua da Liberdade". Foi o caso, por exemplo, de Impacto profundo, filme-catástrofe lançado há 10 anos, onde o "presidente" Morgan Freeman tem de decidir o que fazer quando um enorme meteoro ameaça dizimar a civilização. A cena de Freeman discursando ao final, diante de um Capitólio em reconstrução, dizendo que os Estados Unidos precisam trabalhar duro para recuperar a normalidade, é emblemática — e realmente nos remete aos tempos modernos.

O próximo presidente negro no cinema será Danny Glover, no apocalíptico 2012, de Roland Emmerich, o mesmo diretor de Independence Day. Na TV, o mais conhecido presidente negro — cuja semelhança todos torcem para que pare na cor da pela — ganhou vida na pele de Dennis Haysbert na série de televisão 24 Horas, onde o protagonista é o loiro Kiefer "Jack Bauer" Sutherland. Em 2001, no primeiro ano da série, Dennis era David Palmer, um senador norte-americano que lutava para chegar à Casa Branca, objetivo alcançado na segunda temporada. Curiosamente, seu lema era devolver à América um pouco de ética na política. Ele passa todo o mandato lutando contra ameaças terroristas e o final não é nada feliz. É sucedido, mais tarde, por seu irmão, Wayne Palmer (D.B. Woodside), que enfrenta dilemas semelhantes.

Outro seriado, The West Wing, bateu na trave e elegeu Matt Santos, o primeiro latino presidente dos EUA.branca, só a Casa. “Não sei se verei um presidente negro enquanto estiver vivo", disse o comediante Chris Rock nos comentários que aparecem nos extras do DVD de Um pobretão na Casa Branca, filme que ele dirigiu e protagonizou em 2003, seis anos antes do início da Era Obama. O filme, a rigor, ironizava as conseqüências de um presidente negro à frente dos Estados Unidos, criando um clima de terror entre a população branca. O cartaz de divulgação do filme trazia a divertida frase: "A única coisa branca é a Casa", um trocadilho com o nome da sede do governo, em Washington.

Um pouco de arqueologia hollywoodiana resgata o curta musical Rufus Jones for President (Rufus Jones para presidente), de 1933, como o primeiro filme a apresentar um presidente negro. O papel coube a Sammy Davis Jr., que, aos 7 anos, ouve a mãe dizer que "qualquer um nascido aqui pode ser presidente". Eram os tempos da Grande Depressão e, como agora, os norte-americanos tentavam se reinventar. Mas coube a James Earl Jones, em magistral atuação, representar um presidente negro no primeiro filme "sério" a tratar do assunto. O filme é O presidente negro (The Man, 1972), em que o chefe do Senado chega à Casa Branca depois que, numa sequência de tragédias, o presidente, o vice e presidente da Câmara saem de cena.


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