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Estado de Minas EDUCAÇÃO

"Desalojado", ensino médio do Instituto de Educação enfrenta transtornos

Três meses após incêndio no Iemg, alunos e professores do ensino médio reclamam da estrutura alugada para aulas e cobram reparos na escola


20/06/2023 04:00 - atualizado 20/06/2023 05:33
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O prédio histórico do Instituto de Educação foi atingido por um incêndio em 22 de março
O prédio histórico do Instituto de Educação foi atingido por um incêndio em 22 de março (foto: Fotos: Jair Amaral/EM/D.A Press)
O incêndio registrado no Instituto de Educação de Minas Gerais (Iemg) no primeiro trimestre ainda é problema para os mais de 800 alunos do ensino médio da unidade. Há quase três meses, os estudantes assistem às aulas em um prédio comercial na Rua Guajajaras, na Região Central da capital. Longe do ambiente ideal para o ensino, professores e alunos reclamam da demora para o retorno ao prédio principal da escola e de falta de apoio do governo nesse período de transição. Segundo o Executivo estadual, licitação para reparos será feita ainda este ano.

O Iemg, que fica na Rua Pernambuco, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi atingido por um grande incêndio em 22 de março. Desde então, as aulas do ensino médio foram suspensas na unidade. As outras turmas seguem frequentando normalmente o prédio anexo do colégio.

No caso das turmas de ensino médio, as aulas estão sendo ministradas em um outro prédio, que foi alugado pelo governo e tem custos de mais de R$ 160 mil aos cofres públicos. A demora para a conclusão das obras tem incomodado professores da unidade. “Entendemos que é uma situação emergencial, mas nem por isso temos que conviver com essa transferência às pressas sem os devidos cuidados. Imagine que em uma quarta-feira acontece o incêndio. No sábado, os professores já estavam (no outro prédio)”, contou Wladimir Coelho, que dá aulas no Iemg há mais de cinco anos.

Wladimir ressalta que alguns dos alunos chegaram a sair da escola após o incidente. “Imagina sair de um prédio onde tem uma piscina, quadras de esporte, biblioteca, laboratório de informática muito bem equipado e de repente vamos para um prédio comercial, que foi durante algum tempo sede de uma faculdade. Observamos que um determinado quantitativo de alunos saiu da escola por causa da mudança da estrutura. Conversamos com alunos que disseram isso”, afirma.

O professor cobrou do Estado também maior apoio no processo de adaptação dos alunos. Segundo ele, faltou diálogo para facilitar toda a situação. Percebo que há uma dificuldade de comunicação da Secretaria (de Educação) com a escola e professores. Tivemos que rever todo nosso planejamento pedagógico. Faltou dar um tempo para discutir como a mudança seria feita. Faltou apoio para essa transição”, reforça.

Alunos do ensino médio diante do imóvel comercial onde assistem às aulas atualmente
Alunos do ensino médio diante do imóvel comercial onde assistem às aulas atualmente


A reclamação é a mesma entre os alunos. Geilson Lucas, de 16 anos, cursa o 2º ano no Iemg e diz que o novo local dificulta o acompanhamento das classes. “Nem tem janela nas salas, é só um ventilador. Faz muito calor dentro da sala, é horrível. São 40 alunos para um lugar pequeno, fica abafado dentro da classe”, disse.

Uma aluna que não quis se identificar contou que as aulas externas e de educação física são as mais afetadas. “A mudança atrapalhou, perdemos nossa privacidade. Querendo ou não, somos prejudicados porque não temos onde fazer educação física ou a aulas que tínhamos em espaço livre. Queria muito voltar pro outro prédio, mas não sabemos quando isso vai ocorrer”, explicou.

O que diz o governo

Atualmente, a obra de reforma do prédio principal do Iemg está a cargo do Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER-MG). Em nota, o governo de Minas informou que os reparos estão em fase de orçamento e a previsão é de que a licitação seja feita ainda neste ano. Sobre os questionamentos relacionados à rotina do ensino, a Secretaria de Educação disse que “já apresentou as planilhas com intervenções físicas no espaço para regularização das demandas da comunidade escolar, o que inclui o fluxo de alimentação escolar, entre outras.”

No dia 12, a deputada estadual Macaé Evaristo (PT) fez uma visita junto com a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ao prédio histórico da capital. Após a vistoria, ela relatou que a situação do prédio histórico é complicada e reclamou de falta de transparência por parte do governo. “Fizemos a vistoria e a situação é de calamidade. A gente não teve acesso ao projeto de reforma, não temos nada sobre a licitação”, disse.

Macaé destacou que aguarda um encontro entre os representantes da escola com as autoridades e que vai pedir uma audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir o assunto. “A insegurança da comunidade escolar é imensa. Não houve assembleia ou reunião para que o governo do estado apresentasse o que vai ser feito para recuperar o prédio. Vamos pedir uma audiência pública na assembleia para tratar dessa questão”, contou.

O incêndio

As chamas começaram por volta das 10h de 22 de março. Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo teve início no recinto de arquivos, que fica na última sala do primeiro andar, no fundo do prédio. A fumaça foi vista de longe. Toda a escola foi evacuada. Quatro viaturas do CBMMG, com 12 militares, além da Polícia Militar e o Samu, trabalharam na ocorrência. Apesar do susto, não houve feridos graves, mesmo com 44 pessoas tendo sido atendidas em hospitais de Belo Horizonte. Por volta das 11h30, o fogo foi controlado.

Um adolescente de 16 anos foi apreendido ainda na noite daquele dia, suspeito de ter ateado fogo ao prédio. O próprio jovem teria acionado a polícia para confessar o ato. À polícia, ele afirmou que estava fumando na sala de arquivos, centro do incêndio, quando teria descartado a guimba do cigarro em um local cheio de plástico. O jovem afirmou à polícia que não teve nenhuma intenção ou vontade de causar o incêndio e que eles (o garoto e um colega) não repararam se o fogo começou na sala. Apenas 10 minutos depois de retornarem para a aula é que notaram a fumaça.


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