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Estado de Minas DEPOIMENTO

Câmeras em banheiro de lava-jato foram achadas após desconfiança da equipe

Mulher que deduziu que estava sendo espionada chamou a PM após encontro dos equipamentos


13/03/2021 13:30 - atualizado 13/03/2021 15:33

Desde segunda-feira, quando as câmeras foram descobertas, o lava-jato está fechado
Desde segunda-feira, quando as câmeras foram descobertas, o lava-jato está fechado (foto: Alysson Lisboa/Divulgação)

As vítimas do empresário Luiz Eduardo Castellar , que espionava as funcionárias com câmeras de vídeo , quando estas iam ao banheiro do lava-jato  do qual era proprietário, no Bairro Buritis, se mostram abaladas. É o que contam em seus depoimentos.

 

Uma das vítimas é V ., mãe de quatro filhas , que trabalhava no lava-jato há oito meses. Foi ela quem denunciou as câmeras à polícia, após desconfiar que estava sendo espionada. 

“Eu tinha falado com uma colega e depois com minhas duas sobrinhas, que também trabalhavam no local. Achava estranho os comentários que o patrão fazia, sobre intimidades que aconteciam dentro do banheiro feminino”, conta ela.

 

Segundo ela, tudo que era conversado por elas no banheiro era comentado pelo patrão. “Ele se aproximava da gente e falava baixinho, isso, quando não havia mais ninguém por perto. Aquilo foi me deixando com a pulga atrás da orelha.”

 

A gota d'água das desconfianças de V. foi sobre uma atitude sua no banheiro. “Como eu estava desconfiada que haviam câmeras, ou escutas, lá dentro, eu entrei no banheiro, tranquei a porta e comecei a fuçar. Me abaixei, olhei debaixo do armário de nossas roupas, e olhei outros pontos. Pouco depois que saí, ele se aproximou de mim e começou a fazer perguntas sobre o que eu estava fazendo no banheiro. Porque estava abaixada? Deu uma desculpa. Mostrei meu brinco e disse que ele tinha caído e que eu estava procurando.”

 

Foi quando ela teve certeza de que estava sendo observada. “Aí, resolvi falar com uma colega e com minhas sobrinhas. “Falei pra minhas sobrinhas que só confiava nelas e que era para elas ficarem atentas”, conta V..

 

Depois disso, a vida de V. no lava-jato começou a mudar. “Ele me disse que estava gostando do meu serviço, da minha dedicação e que iria me promover para supervisora. Aí, tive de fazer um curso. Ele, com isso, me mantinha próximo dele e me tirou de circulação no lava-jato. Era apenas para me afastar, pois desconfiava que eu pudesse descobrir o seu segredo.”

 

Foi uma das sobrinhas de V. quem encontrou a primeira câmera. “Ela me chamou e disse que tinha uma coisa pra me mostrar. Insistiu que fosse com ela, naquele momento, até o banheiro. E apontou para o basculante, que fica na parte alta, mostrando um aparelho, uma espécie de lente. Falou para acender a luz do celular, que veria um reflexo. Fiz isso, e o reflexo apareceu.”

 

Com a certeza de que havia pelo menos uma câmera no banheiro, ela resolveu chamar a Polícia Militar e fez a denúncia. “Foi comprovado, pela PM, que havia não só uma câmera, mas três, no nosso banheiro”, diz V., que diz que não descansará enquanto não houver justiça e o empresário pague por seu crime.

 

“Agora estamos desempregadas. Estamos nos reunindo para tentar conseguir emprego para todas nós, pois todas temos família para cuidas”, diz V..

 

O fato foi descoberto na última segunda-feira. Desde então, o lava-jato, que era bastante movimentado, está fechado.

 

 

 


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