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Estado de Minas CHUVAS EM MINAS

Minas segue sob alerta para temporais

Tempestades como as que castigaram Carangola e Santa Maria de Itabira são esperadas até o fim do mês em todo o estado, que registra 21 mortes desde o início


23/02/2021 04:00 - atualizado 22/02/2021 23:38

Relevo acidentado eleva o risco de cidades como Carangola, na Zona da Mata, onde temporais destruíram pontes e provocaram outros estragos no fim de semana (foto: Fotos: Pedro Gontijo/Imprensa MG)
Relevo acidentado eleva o risco de cidades como Carangola, na Zona da Mata, onde temporais destruíram pontes e provocaram outros estragos no fim de semana (foto: Fotos: Pedro Gontijo/Imprensa MG)

Os temporais que atingem Minas Gerais nos últimos dias ainda não têm previsão para terminar e o estado segue em “alerta laranja” para o risco de mais chuvas intensas. Cidades ainda contam os estragos. Ontem, o governador Romeu Zema (Novo) visitou Carangola, na Zona da Mata, onde pontes e ruas foram destruídas devido às tempestades. Santa Maria de Itabira, na Região Central, por sua vez, passou o dia em trabalho para desobstruir ruas, atender desabrigados e chorar seis mortos nas enchentes e deslizamentos do fim de semana. Em todo o estado, já são 21 vidas perdidas em ocorrências relativas ao período chuvoso (outubro a março) e mais de 10 mil pessoas que tiveram de   deixar suas casas, entre desabrigados e desalojados.
 
Na noite de ontem, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou uma medida provisória que garante ajuda de R$ 450 milhões para cidades atingidas por chuvas. Mais cedo, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já havia adiantado que um socorro estava sendo preparado para auxiliar municípios castigados por temporais. 
 
Os indicadores meteorológicos indicam que a chuva não vai cessar em Minas. O restante do mês de fevereiro ainda deve ser de muita nebulosidade, e, pelo menos até os próximos dias, Minas segue sob alerta laranja, que significa a possibilidade de precipitações de maior intensidade. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pode ocorrer chuva entre 30 e 60 milímetros por hora ou 50 e 100 milímetros por dia. Os ventos também são intensos, podendo chegar a 100km/h. Há risco de raios, corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores e alagamentos em todas as regiões do estado.
 
A explicação para as tempestades no decorrer deste mês é a atuação das áreas de instabilidade atmosféricas associadas à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Esse fenômeno, considerado normal nesta época do ano, foi também responsável pelas fortes chuvas em janeiro do ano passado, que devastaram Belo Horizonte e cidades da região metropolitana. Desta vez, ele assola mais concentradamente a Região Leste do estado, mas, segundo o meteorologista do Inmet Lisandro Gemiacki, todo o território está sujeito aos altos volumes de chuva.
 
“Geralmente ocorre a formação desses sistemas ao longo da estação chuvosa que vai até março, favorecendo a formação de nuvens de diferentes formas, tanto a garoa quanto tempestades de intensidade forte que podem causar mais transtornos. A composição desses dois tipos de chuvas favorece muito os deslizamentos”, alerta Lisandro. “Praticamente todo o estado está sendo atingido por precipitações fortes. Temos percebido volume de chuva acima dos 100 milímetros em todas as regiões do estado”, observou.
 
Especialmente na área Central, Zona da Mata e Vale do Aço, o volume de precipitação pode provocar enxurradas e alagamentos, além de elevação do nível dos córregos e rios, o que pode causar transtornos à população. “Na Zona da Mata, o relevo é mais acidentado, então a resposta em termos de enchente é muito rápida. Mas a chuva está acontecendo em várias regiões do estado”, explicou. No caso de Santa Rita de Itabira o relevo também contribuiu, já que a cidade fica em um vale, cujas paredes registraram desmoronamento, contribuindo para o transbordamento do Rio Girau, que corta o município.
 
Lisandro ressalta que esse fenômeno durante o verão é versátil. “A Zona de Convergência do Atlântico Sul tem característica de, às vezes, provocar chuva contínua e também dá condições de pancadas isoladas no fim da tarde e noite. Além de poder acontecer os dois juntos também”, explica. “A previsão é manter essa mesma condição variando de chuvas mais intensas com chuvas contínuas por pelo menos os próximos cinco dias, com muita chance de temporais isolados em praticamente todo o estado”.

ABAFAMENTO De acordo com o Inmet, hoje (23/2) será mais um dia de tempo instável. Haverá muitas nuvens, principalmente no Centro-Norte, Leste e Zona da Mata, com momentos de abertura do céu, favorecendo a ocorrência de pancadas de chuva e trovoadas nesses setores. No restante do estado, as nuvens aumentam ao longo do dia e as pancadas de chuva tendem a ocorrer preferencialmente à tarde e à noite. As temperaturas seguem estáveis, mantendo a sensação de abafamento dos últimos dias.
A previsão de pancadas de chuva segue em municípios afetados no fim de semana, como Manhuaçu, Carangola e Santa Maria de Itabira. De acordo com o boletim divulgado pela Defesa Civil Estadual, desde outubro do ano passado até ontem, Minas soma 9.807 desalojados – pessoas que precisaram sair de suas casas. Os desabrigados – pessoas que necessitaram de abrigo público, como habitação temporária –, chegaram a 1.358.
 
Enquanto isso, o órgão tem realizado uma série de ações humanitárias de assistência aos atingidos para minimizar o sofrimento daqueles que tiveram que deixar suas casas. Foram distribuídos 845 colchões, 505 kits limpeza (detergente, sabão em barra, esponja dupla face, água sanitária, lã de aço, sabão em pó, pano de chão), 715 kits de higiene (sabonete, papel higiênico, absorvente, creme dental, escova de dentes) e outros 4.772 itens avulsos como água sanitária, vestuário, água mineral, álcool em gel, máscaras, face shield, lonas, kit dormitório e alimentação.

EM BH A capital mineira registra chuvas acima da média histórica neste mês. De 1º de fevereiro até as 9h de ontem, choveu na capital 383,2 milímetros, 111% acima da média para o mês, que é de 181,4 milímetros. O recorde de fevereiro mais chuvoso ainda é o de 1978, quando as precipitações alcançaram 487,3 milímetros na cidade. Para a meteorologista Anete Fernandes, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), este mês pode não bater esse volume, mas é possível que supere o total registrado em fevereiro do ano passado, quando choveu 392 milímetros na capital.. A temperatura na capital apresentou uma ligeira elevação. Ontem, a mínima foi de 16°C e a máxima de 28°C. . Hoje, a previsão é de mínima de 17°C e máxima de 28°C, com muitas nuvens e pancadas de chuvas ao longo do dia. 

Promessa de recursos para Carangola

O governador Zema ao lado do prefeito Silas Vieira, durante visita à cidade para acompanhar as operações de rescaldo das chuvas
O governador Zema ao lado do prefeito Silas Vieira, durante visita à cidade para acompanhar as operações de rescaldo das chuvas

Fortemente atingida pelas chuvas dos últimos dias, Carangola, na Zona da Mata, recebeu na tarde de ontem a visita do governador Romeu Zema. Ele acompanhou as operações do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil na cidade, prestou solidariedade às vítimas e afirmou que o governo vai oferecer recursos para a reconstrução do que foi perdido.
 
“Lamento estar aqui numa situação não muito agradável, mas, felizmente, não tivemos vítimas. Estamos agora acompanhando o que é necessário para reconstruirmos a cidade. O estado vai dar total apoio ao município”, declarou o governador.
 
Moradores da cidade perderam móveis e ainda sofreram com diversas ruas obstruídas por lama e destroços. Zema garantiu que “as estruturas afetadas serão reconstruídas o quanto antes”. O governador atribuiu os recentes estragos na região à mudança climática e à extensão territorial do estado. “Um estado do tamanho de Minas Gerais está sujeito a ter ocorrências tristes”, avaliou.
 
“Eu disse ao prefeito (Silas Vieira, do Republicanos) que minha grande preocupação é com relação ao futuro. Carangola não pode conviver com esse tipo de risco todo verão. No ano passado, tivemos problema e, neste ano, ele foi intensificado. Sabemos que é uma situação que vai demandar estudos e obras no futuro, mas é o que precisamos fazer. Caso contrário, essa situação pode se repetir e ninguém quer viver numa cidade que corre esse risco”, afirmou Zema.
 
De acordo com o governador, a prefeitura ainda deve apurar o tamanho dos estragos para que o governo do estado contabilize a ajuda financeira. “Esse valor vai depender do levantamento. A prefeitura vai fazer o levantamento de quantas pontes foram afetadas, quantas ruas foram destruídas e outros problemas. Com o tempo teremos esses dados e será público. Vamos correr atrás para que a prefeitura tenha condição de reconstruir o quanto antes”, reafirmou.

Danos e prejuízos


Setenta municípios em Minas registram danos humanos durante o período chuvoso em curso, aponta Boletim da Defesa Civil do estado. Desses, 20 decretaram estado de emergência ou de calamidade pública por eventos adversos. Os danos materiais somam R$ 34, 18 milhões, prejuízos econômicos públicos R$ 506,1 mil e os do setor privado R$ 4,8 milhões, ainda de acordo com a Defesa Civil.



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