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Estado de Minas PARQUE

'Guanabara não vai fechar', diz proprietário de parque símbolo de BH

Em entrevista ao EM, ele agradece as manifestações de apoio recebidas, aguarda o momento de reabrir as portas e pede a Kalil para 'olhar o parque com carinho'


07/10/2020 11:33 - atualizado 07/10/2020 12:37

O Parque Guanabara foi fundado no Espírito Santo, mas em 1970 se transferiu para a Pampulha em BH(foto: Leandro Couri/EM/DA PRESS)
O Parque Guanabara foi fundado no Espírito Santo, mas em 1970 se transferiu para a Pampulha em BH (foto: Leandro Couri/EM/DA PRESS)

Muita gente se emocionou com a possibilidade de não poder mais se divertir na maior roda-gigante de gôndola do Brasil, com 36 metros de altura, instalada na região da Pampulha em Belo Horizonte. A notícia de que o Parque Guanabara poderia fechar as portas pegou os belo-horizontinos de surpresa.

Não estamos preparados para essa perda. De fato as dificuldades enfrentadas, durante sete meses de fechamento, são imensas. Mas Reynaldo Pereira Dias, 59 anos, um dos proprietários em entrevista ao Estado de Minas garantiu que a empresa vai encontrar saídas para um dos piores momentos enfrentados, desde a fundação em 1951, em Cachoeira do Itapemirim no Espírito Santo. O parque é a concretização do sonho do pai de Reynaldo, Paulo Pereira Dias (1912-1995), um construtor de brinquedos.

Reynaldo Pereira Dias acredita que o mal momento será superado(foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
Reynaldo Pereira Dias acredita que o mal momento será superado (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
 

Em 1970, Paulo adquiriu o terreno de 9 mil metros quadrados na Pampulha, onde desde então funciona o parque. As atrações colorem a paisagem, trazendo um ar de encantamento tanto para crianças e adultos. O tromba-tromba na autopista, a Lagarta gigante, Sky fall, Crazy dance garantem adrenalina e diversão aos frequentadores de todas as idades. A criançada se diverte com o barco pirata e o trem fantasma.

E não falta o carrossel para deixar memórias doces da infância.  Ao todo são 106 funcionários para fazer tudo funcionar. Uma estrutura que despende, mensalmente, R$ 750 mil para ser mantida quando em pleno funcionamento. Com as portas fechadas pela pandemia, os gastos se mantêm na ordem de R$ 300 mil.

Reynaldo, porém, tem fé que o parque vai superar esse momento ruim e ele é muito grato ao apoio que vem recebendo nas redes sociais, mas desmente algumas mentiras que circularam, como uma petição pedindo para que não seja cobrado aluguel. O parque fica em terreno próprio. Confira a entrevista.

O Parque Guanabara conta com 106 funcionários(foto: Arquivo pessoal/Divulgação)
O Parque Guanabara conta com 106 funcionários (foto: Arquivo pessoal/Divulgação)


Qual é a situação do Parque Guanabara?
Em momento algum, disse que temos a intenção de fechar. Não temos mesmo a intenção de fechar. Para os jornalistas, mostrei a realidade da emprsa depois de quase sete meses parado. Em qualquer empresa, que ficar por sete meses, a  situação fica complicadíssima. Ficar sete meses sem entrar nada.

Como vai conseguir recuperar para manter o parque aberto?
A nossa expectativa, e esperança, é que possamos, em breve, voltar as atividades e cobrir esse buraco que a pandemia fez. 
 
Há sete meses de portas fechadas devido à pandemia(foto: Leandro Couri/EM/DA PRESS)
Há sete meses de portas fechadas devido à pandemia (foto: Leandro Couri/EM/DA PRESS)
 
Você acha que o poder público pode dar algum suporte ao parque?

Não entro nessa questão, porque é muito difícil avaliar ações dentro da pandemia. Essa pandemia ninguém esperava por isso. Ninguém tinha um manual pronto para lidar com essa pandemia. Nós, como todos os brasileiros, todas as empresas brasileiras e o mundo, estamos passando por uma coisa inesperada. O mundo, de forma geral, está aprendendo a enfrentar essa nova situação. Então, se tem alguma coisa a qual a gente pode creditar situação atual é o vírus, a pandemia.

Se eu pudesse falar algo eu pediria que ele (Kalil) olhasse com carinho para o parque.

Reynaldo Pereira Dias


O que os belo-horizontinos podem fazer para ajudar o parque?
Já está acontecendo. A solidariedade população enorme. Estamos recebendo telefonemas e mensagens, ação de apoio nas redes sociais. Não esperava ter repercussão tão grande e adesão solidária tão positiva para o parque. Já está acontecendo. A população de Belo Horizonte lamenta a perspectiva de o parque fechar, embora,  em momento algum, afirmamos que temos plano de fazer isso.Pelo contrário, estamos  trabalhando continuidade Parque Guanabara. Isso, se Deus quiser é o que vai acontecer. 

E sobre o abaixo-assinado que circula nas mídias sociais
Tem uma petição que desconhecemos quem fez. Uma petição para que as pessoas assinem pedindo ao proprietário do terreno que deixasse de cobrar o aluguel. Não sei quem fez essa petição e de onde tirou essa ideia. O terreno do parque é próprio. Meu pai comprou em 1970. Não sei porque fizeram essa petição. Mas não temos gerência sobre isso. 
 
A maior roda gigante de gôndola do Brasil embeleza a Pampulha(foto: Leandro Couri/EM/DA PRESS)
A maior roda gigante de gôndola do Brasil embeleza a Pampulha (foto: Leandro Couri/EM/DA PRESS)


Você acha que a prefeitura pode liberar o funcionamento do parque?
Estamos na expectativa disso. Pelo programa de reabertura, que acompanhamos diariamente, vai chegar a nossa vez. Atividades como museus cinemas, casas noturnas atividade em grupo estão estudo. Expectativa é que, em breve, vai ter definição como teve definição para clubes e feira hippie, e várias atividades que voltaram ao funcionamento, claro!, com protocolos de segurança. O parque de diversão é uma das empresas mais preparadas para implantação de protocolo segurança. Isso já está no nosso DNA.

Nosso cotidiano é voltado para funcionalidade e a segurança. Recebemos quase 40 mil por mês e precisamos recebê-los e proporcionar total segurança. As pessoas chegam e ficam distraídas, querendo brincar. Não se preocupam com os cuidados. Essa  responsabilidade abraçamos desde quando o parque foi criado há quase 70 anos.

Em momento algum disse que temos a intenção de fechar. Como não temos mesmo a intenção de fechar. Mostrei a realidade da empresa depois de quase sete meses parado.

Reynaldo Pereira Dias

 

O que você falaria ao prefeito Alexandre Kalil?
Se eu pudesse falar algo, eu pediria que ele olhasse com carinho para o parque. A nossa despesa é grande demais. Resistimos, graças a Deus, há quase sete meses, fechados.  Isso acaba. Os recursos para se manter são finitos. Pediria que olhasse com carinho para gente, como todo os outros setores estão pedindo. Se há um culpado é a pandemia. Pandemia trouxe crise mundial. O Brasil está sofrendo muito.


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