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Estado de Minas Novo normal

Poucas academias reabrem no primeiro dia de retomada do setor em BH

Quem saiu de casa para malhar precisou agendar com antecedência e encontrou clima diferente do habitual; muito espaço e poucas pessoas


31/08/2020 13:11 - atualizado 31/08/2020 17:16

(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
Primeiro, a retomada do comércio não essencial, em seguida foi a vez dos bares e restaurantes, depois os parques e praças e agora, nesta segunda-feira (31), as academias de Belo Horizonte estão autorizadas a retomar suas atividades, desde que sigam os rígidos protocolos da prefeitura. Neste primeiro dia, mesmo com a liberação do funcionamento, muitos empresários do setor optaram por permanecer de portas fechadas.

Na Região Centro-Sul da capital, no Bairro Lourdes, a D2 Fitness era uma das poucas academias abertas. “Fomos pegos de surpresa, estávamos preparando tudo para uma reabertura no dia 8. Temos duas unidades, uma na Boa Viagem e essa aqui do Lourdes. Na outra, a reabertura hoje não foi possível, já que mudamos de endereço e não conseguimos prepará-la a tempo”, explicou André Toledo, recepcionista da academia.

Além da Região Centro-Sul, a reportagem do Estado de Minas percorreu as ruas da Região Centro-Sul, Leste e do Hipercentro, mas encontrou os estabelecimentos com as portas fechadas.

Muitos belo-horizontinos, porém, estavam ansiosos pela volta da malhação. É o caso da biomédica Ana Carolina Ferreira, de 28 anos que no primeiro dia de reabertura já estava pegando pesado nos exercícios. Para ela, mais do que condicionamento físico, a liberação desse espaço possibilitou a volta de uma rotina mais saudável e equilibrada em todos os sentidos.


“Acho que o exercício físico é muito bom pra gente, não só fisicamente como mentalmente também, principalmente nessa fase. Ocupamos mais a mente, a gente vem e tem esse gasto calórico, se alimenta melhor, eu acho que é um ciclo”, afirma. 

Para que Carolina pudesse voltar a sua rotina de hábitos saudáveis, a academia precisou se adequar às normas exigidas para conter a disseminação do novo coronavírus. Donos desses estabelecimentos precisaram reorganizar todo o modelo de funcionamento para permitir que a volta ocorresse da maneira mais segura possível, levando em conta a delicadeza do momento atual.

Quem não abre mão de uma vida mais fitness e já estava habituado ao agito das movimentadas academias se surpreendeu ao retomar os treinos no “novo normal”.  Nessa manhã enquanto a reportagem esteve no estabelecimento, apenas quatro pessoas treinavam no local. O número baixo de alunos não era mera coincidência, já que o protocolo da PBH exige que seja disponibilizado um espaço 7m² por pessoa. Além disso, os clientes precisam agendar com antecedência a ida aos espaços. No entanto, não existem restrições de dias e horários para o funcionamento dos estabelecimentos do setor.

“A gente tá tendo uma limpeza periódica com a equipe de manutenção, as pessoas entram aqui e eu tenho que borrifar o álcool na mão delas. Estamos com o sistema de agendamentos, seguindo os protocolos, utilizando viseiras, máscaras, conseguimos separar as máquinas com uma distância de dois metros uma das outras tudo como medida protetiva”, disse o recepcionista da D2. 

Ele conta que muitos clientes entraram em contato por telefone e através das redes sociais para entender melhor como seriam as adaptações. “Temos clientes muito fiéis que já estão ligando e pedindo para poder marcar um horário e também para saber como está funcionando, mas, para hoje, não tivemos tantas marcações, acho que o pessoal está começando a querer voltar, mas ainda tem um certo receio.” 

Empregos mantidos

Totem de álcool gel, tapete sanitizante e aferição de temperatura receberam os funcionários da Academia Wanda Bambirra (WB), no Bairro Sion, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Com emprego mantido, o recepcionista Hiago Rodrigues, de 25, comemora poder voltar ao seu local de trabalho e ainda praticar exercícios. “Estou super feliz que abriu de novo, espero agora que tudo se estabilize”, disse. Para Hiago, os meses fechados foram de preocupação constante com a possibilidade de perder seu "ganha pão". “Quanto mais o tempo passava, mais incerto ficava. A academia manteve os funcionários empregados, mas acredito que se ficasse mais um pouco fechado, teriam que nos demitir”, salienta.

Academia WB (Wanda Bambirra) retomou hoje as atividades obedecendo os protocolos sanitários(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A. Press)
Academia WB (Wanda Bambirra) retomou hoje as atividades obedecendo os protocolos sanitários (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A. Press)


O personal trainer João Victor de Aguiar, de 26, também comemora essa retomada com as medidas de segurança. “Hoje está bem vazia porque acho que muita gente está com receio, mas estamos tomando todos os cuidados, sendo bem instruídos, tem funcionário limpando o tempo todo. Estão seguindo todos protocolos”, acrescenta.

A proprietária, Natalie Bambirra Cabral, conta que a adequação só foi possível graças à preparação antecipada. “Já estávamos nos preparando ao longo desses cinco meses. Na quinta-feira quando foi anunciado, só fizemos os últimos ajustes”. Segundo a empresária, o primeiro dia de reabertura foi tranquilo, com alguns alunos ainda receosos, mas com a expectativa de novos contratos. “Teve muita procura de novos alunos”, ressalta. 

Cuidados redobrados 

 
Paulo Henrique Junqueira, dono de uma academia de crossfit, está otimista com a reabertura(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
Paulo Henrique Junqueira, dono de uma academia de crossfit, está otimista com a reabertura (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
Dono de uma academia de crossfit localizada no Bairro Funcionários, há seis anos, Paulo Henrique Junqueira, de 44, está otimista com a reabertura. Para garantir o distanciamento entre os clientes conforme o protocolo estabelecido pela PBH, o empresário dividiu o espaço de treinos, redobrou os cuidados com a limpeza dos equipamentos e mudou o formato das aulas.

“Acho que alguns alunos ainda estão aguardando para ver o que vai acontecer e ainda estão com medo, mas dá pra manter a segurança. Com certeza, se você for em uma fila de um supermercado qualquer, você vai ver pessoas muito mais próximas do que vê aqui”, contou o proprietário da Crossfit Cipó, enquanto apenas dois alunos treinavam no espaço. 


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