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Estado de Minas FLEXIBILIZAÇÃO

Reabertura de academias no Triângulo Mineiro garante sobrevida a empresas

Proprietários dizem que já estavam no limite, e usuários demonstram segurança para voltar, desde que respeitados os protocolos


21/08/2020 16:55 - atualizado 21/08/2020 18:16

Proprietário de academia em Uberlândia, Lucas Kabal contou que que não teria como manter o negócio por mais 30 dias(foto: Vinícius Lemos/Especial para o EM)
Proprietário de academia em Uberlândia, Lucas Kabal contou que que não teria como manter o negócio por mais 30 dias (foto: Vinícius Lemos/Especial para o EM)

A reabertura das academias autorizada pelo governo de Minas para municípios na Onda Amarela do plano Minas Consciente significou um suspiro para os negócios no Triângulo Mineiro. Entre empresários que tiveram que demitir funcionários e outros que conseguiram manter os quadros, o mês de agosto poderia ser o último antes do fechamento. Frequentadores também comemoraram.

Em Uberlândia, as academias tiveram que baixar as portas na segunda quinzena de março. Desde então, houve várias carreatas pedindo a reabertura dos empreendimentos.

Nesses cinco meses sem funcionar, o empresário Renato Bezerra participou dessas manifestações e teve que demitir 21 dos 24 funcionários que tinha, ao mesmo tempo em que teve todos os 900 contratos com alunos cancelados nas quatro unidades de sua academia.

Como não trabalha com contratos prolongados – apenas mensais –, com as portas fechadas não poderia receber alunos nem mensalidades.

A volta, porém, não será fácil, segundo Bezerra: “Algumas exigências acabam sendo quase inviáveis. Com meu espaço, por exemplo, precisaria de pelo menos cinco funcionários para higienização dos aparelhos o tempo todo, enquanto a academia estiver aberta. Nesse caso vou pedir a colaboração dos alunos para ajudarem na higienização. Cada um vai receber borrifadores com os produtos necessários para que limpe o aparelho antes e depois do uso”.

A retomada vai ser ainda com apenas sete funcionários, e ele espera receber aos poucos cerca de metade dos alunos que tinha, o que garantiria, de qualquer forma, a sobrevida da academia.

Desconto para os clientes

Também proprietário de academia em Uberlândia, Lucas Kabal contou que que não teria como manter o negócio por mais 30 dias. Ele não demitiu nenhum dos 50 funcionários, mas porque conseguiu manter quase 10% dos clientes que tinham contratos de longa duração.

Kabal traçou um plano de descontos para esses clientes que agora poderão voltar às atividades.

O fechamento do comércio caso a cidade regrida à Onda Vermelha poderá ser um problema, pois é preciso que o caixa volte a girar e a empresa volte a se sustentar, o que exige tempo. No entanto, nesse início há um facilitador pra ele, pois segundo Kabal a maior parte das adaptações já foram feitas em suas duas unidades.

“Já tínhamos muito do que é exigido como produtos de limpeza de desinfecção hospitalar, trabalhávamos não só com o álcool. Temos um sistema de troca de ar superdimensionado, a OMS indica sete vezes por hora, a gente troca 30 vezes. Agora faremos alguns ajustes como o reconhecimento facial para entrar na academia e não ter contato com a catraca. Já estou fazendo treinamento com equipe para a volta”, explicou.

Ajuda de custo aos funcionários


Em Uberaba, o empresário Karel Avelar Gomes explicou que só conseguiu manter sua empresa aberta por ter rendimentos em outros trabalhos e porque os funcionários eram prestadores de serviço.

“Eu mantive uma ajuda de custo nesses cinco meses aos funcionários, porque tive a sorte do dono do imóvel que alugo suspender a cobrança mensal, o que vou poder negociar agora”, disse.

A retomada, inclusive, poderá acontecer neste sábado (22), a depender de um decreto da Prefeitura de Uberaba.

O dono de academia ainda explicou que o setor está unido e há cobrança para que todos tomem a maior cautela possível: “Fomos taxados como vilões e agora há o medo de que possamos fechar novamente. Não queremos isso até para que os negócios voltem”.

A opinião dos usuários 

Apesar de as academias serem pontadas como local de alto risco de contaminação de COVID-19, alunos se mostram otimistas com a volta desde que todas as medidas de segurança sejam respeitadas.

“Eu acredito que é possível frequentar com segurança, desde que não haja aglomeração e que nós mesmos possamos ajudar na fiscalização da higiene, inclusive usando máscaras nas atividades”, afirmou o auxiliar administrativo Milto Freitas.

O servidor público Diogo Leal teve COVID-19 e como é praticante de musculação há quase 10 anos percebeu piora na saúde pela falta do exercício.

“Qualquer dia de treino que falha a gente fica incomodado, e durante esse período fechado não foi muito salutar. Fiquei afastado por 14 dias de convívio social. Com a reabertura das academias eu volto gradativamente e acredito que todas as medidas preventivas serão primordiais e o exercício físico também é importante”, disse.


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