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Estado de Minas COVID-19

Coronavírus: funerárias ampliam medidas de segurança e restrições em sepultamentos

Anvisa recomendou enterros sem velórios. Para mortes de outras enfermidades, cerimônias terão menor duração e limite de pessoas


postado em 01/04/2020 17:36 / atualizado em 01/04/2020 18:53

Desde o início da pandemia, funcionários passaram a usar novos equipamentos de segurança, como macacão, máscaras, luvas e óculos de proteção(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Desde o início da pandemia, funcionários passaram a usar novos equipamentos de segurança, como macacão, máscaras, luvas e óculos de proteção (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Numa época de grandes esforços do país na luta contra o coronavírus, quem lida diretamente com a morte também se atenta com os cuidados necessários para evitar contaminações. Com o aumento de casos e óbitos na capital pela COVID-19, as funerárias começaram a tomar medidas de segurança para proteger funcionários no processo de liberação dos corpos. As ações passam pelo aumento de equipamentos especiais para os agentes, além do contato mínimo com parentes dos mortos. 

 

Desde a semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vinculada ao Ministério da Saúde, recomendou que os sepultamentos das vítimas por coronavírus fossem feitos sem velório, evitando aglomeração de pessoas. O órgão também não aconselhou que fossem feitas autópsias nos corpos, preservando a saúde de médicos legistas e demais funcionários.

 

Em Minas Gerais, a maioria das funerárias já aderiu às medidas de segurança, como uso de macacão, máscaras, luvas e óculos de proteção. “Em casos de COVID-19, a recomendação é de que não podemos fazer a tanatopraxia (técnica de conservação dos cadáveres), já que não haverá velório. Logo, os corpos não são 'preparados' e ficam prontos para os enterros. Temos também o máximo de atenção nas vestimentas dos nossos funcionários, para que eles fiquem seguros e façam o trabalho da melhor forma”, detalha o gerente da Funerária Central, Ramon Resende.

 

Já a Funerária Santa Casa BH determinou que seus funcionários passassem por um treinamento específico para lidar com a nova situação. A gerente Luiza Neder garantiu que a empresa está acompanhando todas as atualizações nas normas técnicas e decretos emitidos a respeito da COVID-19: “Estamos trabalhando em parceria com o Serviço de Controle e Infecções Hospitalares da instituição para que os ajustes e as mudanças nos regulamentos relacionados ao serviço funerário sejam cumpridos para oferecer aos nossos funcionários segurança e tranquilidade”.

 

A funerária até permite a realização de velórios de pessoas que morreram com outros tipos de enfermidade. No caso, as cerimônias terão de obedecer a uma cartilha específica, como duração limitada a uma hora, permissão de entrada de 10 pessoas por vez, com distância mantida de 1 metro umas das outras, bem como medidas de isolamento social e higienização adequada.

 

AUMENTO DE MORTES

 

Outro aspecto com que as funerárias passaram a se preocupar foi justamente o aumento de serviço, o que implica em necessidade de mais caixões, coroas de flores e outros acessórios. Além das três mortes confirmadas pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) por coronavírus até esta quarta-feira (três), o estado registra 314 casos e mais de 34 mil suspeitos – de acordo com último boletim da SES, 45 mortes estão sob investigação.

 

 

Gerente da Funerára Santa Rosa, Rosemeire Oliveira entende que a empresa está adaptada para o aumento de demanda: “Estamos preparados para atender os serviços que sempre prestamos. Mas, se for necessário, vamos aumentar o número de trabalhadores na jornada, inclusive cancelando folga de alguns”, diz. Ramon Resende assegurou que a funerária em que trabalha também conseguirá atender um maior volume, caso haja pressão nesse sentido. “O coronavírus é algo novo para todos nós. Na medida do possível, temos como comportar um aumento da nossa demanda. Nossa produção dá conta do serviço que temos diariamente”.

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