Jornal Estado de Minas

Janeiro de 2020 já é o mês mais chuvoso da história de BH



temporal que desfigurou Belo Horizonte e região na noite dessa terça-feira (28) alçou janeiro de 2020 a um patamar sem precedentes. 



Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o volume de chuva do período é o maior em 112 anos, quando a série histórica teve início. Foram 932,3 mm, número que supera os 850,3 mm registrados em janeiro de 1985 - maior média mensal até então. 



O índice corresponde ainda ao triplo do esperado para o mês, que era de 329,1mm. Nas três primeiras horas noite de terça, ou seja, de 19 às 22h10, choveu 117, 4 mm. 

"Janeiro de 2020 é o mês mais chuvoso em relação aos outros onze meses de qualquer outro ano. Não temos registros de outra época em que tenha caído tanta água na capital", informa a meteorologista Anete Fernandes.



A medição realizada pela Defesa Civil por região, divulgada às 6h30 desta quarta-feira (29) já sinalizava o recorde. Somente na Região Oeste, o acumulado de janeiro soma 959 mm ou seja, 291% do previsto para 30 dias. A região com segundo maior índice pluviométrico foi a Centro-Sul, com 956,8 mm. Barreiro (873,8 mm), Noroeste (865,6 mm), Leste (750,6 (228%), Pampulha (726,8 mm), Nordeste (682,6,mm), Venda Nova (596,0) e Norte (537,8) completam o ranking. 

O marco de dia mais chuvoso ainda pertence ao último dia 24 de janeiro, quando o índice pluviométrico alcançou 171,8 mm. O volume ultrapassou a marca histórica de 14 de fevereiro de 1978, quando choveu 164,2 mm em 24 horas. De acordo com o Inmet, a tempestade de terça é a terceira maior da história da capital mineira.  

Calor e umidade

Segundo a meteorologista Anete Fernandes, a principal causa do temporal dessa terça (28) é o calor diurno, associado à umidade típica desta época do ano. "Há ainda uma área de instabilidade sobre BH e Região Metropolitana, vinda lá do Centro-Oeste, o que também contribui para essa situação", esclarece a especialista. 

O atual fenômeno não tem relação com o temporal de 24 de janeiro. Este último, esclarece Anete, foi influenciada pelo ciclone Kurumi, que se formou no litoral do Sudeste do Brasil em 22 de janeiro, mas já se dissipou.