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Estado de Minas

PF prende quadrilha que roubava saques de precatórios no Norte de Minas

Fraude envolvia advogados e donos de cartórios em seis estados e no Distrito Federal. Eles falsificavam documentos. Saques ultrapassam R$ 1 milhão


postado em 10/12/2019 14:39

Agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil foram alvo dos crimes(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil foram alvo dos crimes (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

A Polícia Federal desarticulou, nesta terça-feira, uma quadrilha que, de acordo com as investigações, realizava saques de crédito de precatórios judiciais em Minas Gerais e outros cinco estados, além do Distrito Federal. Os bandidos usavam documentos falsos e contavam com o apoio de dois cartórios do Norte de Minas.

Seis pessoas foram presas na operação, batizada de Stellio, pela suspeita de participação no esquema, sendo cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. De acordo com o delegado Thiago Garcia Amorim, da delegacia da Polícia Federal em Montes Claros, a organização criminosa fez saques de 11 precatórios que somaram R$ 1,3 milhão.

Mas o valor movimentado no golpe pode muito maior. As investigações apontam que os integrantes da quadrilha levantaram informações de precatórios que somam mais de R$ 70 milhões.

Conforme o delegado Thiago Garcia Amorim, os esquema de fraudes para os saques dos precatórios funcionava da seguinte forma: o advogado e funcionário da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro, que foi preso na operação, levantava e vendia informações sobre os créditos de precatórios em todo país.

As informações eram repassadas aos dois advogados, que, com os dados em mãos, falsificavam documentos sobre a identidade dos verdadeiros beneficiários dos créditos. Na sequência, os advogados iriam até os cartórios de Vila do Morro/São Francisco e de Luislândia e providenciavam as procurações para o saque dos precatórios – na Caixa Federal e no Banco do Brasil.

Os 11 saques ilegais dos precatórios foram feitos em cidades de Minas Gerais, São Paulo, Maranhão, Pará, Maranhão e Tocantins, além do Distrito Federal. Os valores foram retirados em sete agências da Caixa Econômica Federal e em quatro agências do Banco do Brasil.

As fraudes começaram a serem investigadas em fevereiro de 2018, quando um advogado tentou sacar R$ 83,9 mil de um precatório junto à uma agência da Caixa Econômica Federal em Montes Claros, com o uso de uma procuração. O gerente da unidade da CEF constatou que o crédito pertencia a um beneficiário de Ituiutaba, no Triângulo.

Ele acionou a Policia Federal e o advogado acabou preso em flagrante. Em fevereiro deste ano, um outro advogado tentou sacar R$ 62,35 mil em uma agência da Caixa Econômica Federal em São Francisco com o uso de documentos falsos e também foi detido. Foi constatado que o crédito pertencia a morador do estado de Tocantins. 


Foram detidos três chefes de cartórios do Norte do estado (dois do distrito de Vila do Morro, no município de São Francisco; e do município de Luislândia).

Foi preso um advogado e funcionário licenciado da Caixa Econômica Federal, em Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro. Ainda foram presos contador no Norte de Minas e um advogado em Belo Horizonte – ele é natural de Arinos, no Noroeste do estado.

Também foi decretada a prisão temporária de um advogado do município norte-mineiro de São Francisco, apontado como um cabeças do esquema fraudulento e que está foragido, com a suspeita de que estaria no exterior. Ele já foi pela PF pela suspeita de envolvimento em desvio de recursos públicos na prefeitura de Januária – também no Norte de Minas.


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