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Estado de Minas

Simulados treinam moradores para fugir de enchente em BH e região metropolitana

Aposta das autoridades para evitar mortes no período chuvoso, moradores de seis áreas de alto risco passam por treinamento até o fim do ano na capital. Ontem, o exercício foi em Contagem


postado em 20/10/2019 06:00 / atualizado em 20/10/2019 09:04

Voluntário sinaliza fechamento de rua em simulado de transbordamento de mananciais na Avenida Tereza Cristina, em Contagem. Ideia é que estejam prontos para agir e evitar tragédias(foto: Fotos: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Voluntário sinaliza fechamento de rua em simulado de transbordamento de mananciais na Avenida Tereza Cristina, em Contagem. Ideia é que estejam prontos para agir e evitar tragédias (foto: Fotos: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)

Moradores do entorno de seis locais considerados de alto risco de inundação em Belo Horizonte passarão por treinamento até o fim do ano para interditar vias em caso de enchentes no período chuvoso. Os simulados ensinam os integrantes dos Núcleos de Alerta de Chuva (NACs) a agir em caso de necessidade e os põem como os principais aliados no combate a tragédias. Ontem, foi dia de quem vive nas imediações da Avenida Tereza Cristina, nos bairros Madre Gertrudes (Oeste de BH) e Vila São Paulo, em Contagem, na região metropolitana, receber orientações sobre as ações de emergência para caso de transbordamento do Ribeirão Arrudas e do Córrego do Feijão, na divisa das duas cidades.

Nos próximos dois meses, haverá simulados nas avenidas Francisco Sá e Silva Lobo (Região Oeste), Prudente de Moraes (Região Centro-Sul), Silviano Brandão (Leste de BH), Sebastião de Brito (Pampulha) e Cristiano Machado (que liga as regiões Nordeste e Norte da capital). Além da Tereza Cristina, a ação já ocorreu também na Vilarinho, em Venda Nova.

Assim que o rádio dá o alerta para fechar as ruas, com cones e fitas zebradas, um voluntário fecha a via. Na Tereza Cristina, o simulado foi feito pela quarta vez, com o fechamento de 19 pontos críticos, sendo nove deles em BH. “O fechamento é importante para as pessoas não se exporem a riscos desnecessários”, ressalta o coronel Waldir Figueiredo, coordenador da Defesa Civil de BH. O morador apto à ação é identificado com colete reflexivo do NAC. “Eles apenas põem a sinalização e esperamos que os motoristas respeitem essa área. A antecipação de risco é fundamental para lidar com os fenômenos da natureza”, disse.

Em situação real, ao menor sinal de chuva, os voluntários postam fotos nos grupos de WhatsApp dos quais fazem parte para informar a situação. Isso serve de protocolo de alerta para os órgãos públicos decidirem sobre o fechamento ou não das vias e o envio de equipes, conforme explica o coordenador da Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil de Contagem, Samuel Lara. “O primeiro bloqueio é feito por voluntários, pois nossas equipes nem sempre conseguem acessar com rapidez as vias, pelo fato de estarmos atendendo várias ocorrências”, relatou. “O objetivo é que nenhum veículo tenha acesso à mancha de inundação”, acrescentou. Este ano, o processo foi aperfeiçoado com a coordenação das operações entre o Centro Integrado de Comando e Controle de Contagem e o Centro Integrado de Operações (COP) de BH.

A dona de casa Márcia Gomes da Costa, de 50 anos, é uma das voluntárias. Ela mora na Vila São Paulo há 22 anos e conta que o trabalho de informar os motoristas já era feito pelos moradores muito antes da instituição do grupo de maneira oficial. “Na enchente de 2008 para 2009, paramos o carro da senhora que morreu e dissemos para ela não continuar, mas ela preferiu seguir”, conta. As mensagens de alerta são recebidas via SMS e a comunicação entre a equipe de voluntárias é feita por meio de rádiocomunicadores. Além de motoristas, moradores das áreas de risco também são alertados a deixar suas casas. “Os moradores convivem há 40 anos com o problema e estão acostumados. O maior problema é com motoristas que têm esse caminho como rota e desconhecem os riscos de inundação”, avisa Samuel Lara.

LIMPEZA PREVENTIVA
Outra linha de ação de Prefeitura de BH para o período chuvoso é a limpeza dos córregos da cidade. Essa será uma das ações previstas para uma semana de mobilização na Região de Venda Nova, que começa na segunda-feira e vai até a próxima sexta-feira. Estão previstas a limpeza de bocas de lobo e de outras redes de drenagem pluvial, inclusive com a utilização do caminhão hidrojateador, substituição de grelhas danificadas, remoção de resíduos descartados irregularmente ao longo de toda a avenida e vias adjacentes, revitalização de pontos limpos, limpeza de córregos e afluentes que deságuam no Vilarinho, retirada de faixas e cartazes irregulares, e apreensão e retirada de carcaças de veículos do passeio e em vias públicas. 
Somente na Região de Venda Nova, o trabalho, que tem como foco diminuir as condições para enchentes da Avenida Vilarinho, já custou R$ 2 milhões aos cofres públicos, segundo o gerente de Limpeza Urbana da Regional Venda Nova, Clarício Tolentino de Aguiar. Esse trabalho significa retirar, pelo menos três vezes por ano, o lixo que vai parar nos 23 córregos da região. A maioria dos cursos d'água que desembocam no canal da Vilarinho já foram contemplados pela limpeza três vezes neste ano. Os que ainda não completaram três ciclos passarão por mais um pente-fino até novembro. Já foram removidas 1,2 mil toneladas de resíduos diversos, como lixo, pneus, objetos como móveis, eletroeletrônicos de vários tipos e tamanhos, carrinhos de supermercados, brinquedos, roupas e calçados, animais mortos e até carcaças de veículos.

“É fundamental que a população dê sua parcela de contribuição e é preciso uma mudança de comportamento dessas pessoas que insistem em fazer descarte irregular, e até criminoso, de resíduos dentro dos córregos, em áreas vagas e outros logradouros públicos ou privados. É grande o risco de obstrução de redes de drenagem, o que poderá trazer sérios prejuízos aos moradores”, adverte o gerente.


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