A Polícia Civil cumpriu mandados de prisão de suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada no roubo de relógios da marca suíça Rolex. A quadrilha, com ramificações no estado de São Paulo, frequentava bares de luxo na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde captava vítimas, e revendia assessórios por todo o país. Chama a atenção a organização dos criminosos, que conseguem identificar um relógio original no próprio pulso da pessoa, e o cuidado do motoqueiro responsável pelo roubo em usar uma mochila de aplicativo de entrega de comida para despistar a vítima e a polícia. O número de ocorrências saltou de duas, em 2018, para 16, somente de janeiro a junho deste ano. Acredita-se que todas as ocorrências estejam relacionadas com criminosos ligados à organização presa esta semana e que os relógios, que custam de R$ 30 mil a R$ 100 mil, sejam vendidos fora do estado. Autoridades alertam para cuidados e autoproteção para evitar os roubos.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, o número de ocorrências relacionadas a roubo de relógios de luxo chamou a atenção da polícia no início deste ano. “Essa organização criminosa começou a ser investigada no início de janeiro, mês em que percebemos um acúmulo de roubos de rolex em Belo Horizonte. Nesse período, passamos a ter dois ou três Rolex roubados no mesmo dia. A partir daí começamos a investigar.”, explicou um dos delegados responsáveis pela operação, Vinicius Dias. Na quarta-feira, a operação, batizada de Hora Certa, cumpriu nove mandados de busca e apreensão, além de outros quatro de prisão temporária. Na ação, a polícia apreendeu veículo, motocicletas, relógios, joias, aparelhos de telefone celular e notebooks. Os resultados foram divulgados em coletiva de imprensa ontem.
Segundo as investigações policiais, o modo operante era o seguinte: criminosos frequentavam bares e festas na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, principalmente, nos bairros Lourdes, Belvedere e Vila da Serra. Bem-vestidos, usufruiriam de bebidas e petiscos do bar para não levantar suspeita. Nesses eventos, os criminosos identificavam as pessoas que portavam um relógio Rolex. “É interessante como essa organização criminosa qualificou seu trabalho. Integrantes se infiltravam nos melhores bares e restaurantes da capital. (…) Tinha um membro específico que fazia essa leitura no próprio pulso para saber se o assessório era verdadeiro ou falso”, disse. “As pessoas que trabalham com esse tipo de produto se tornam especialistas. Há características específicas do relógio que podem ser percebidas”, completou.
Após identificar uma possível vítima portando o relógio de luxo, as características dessa pessoa eram passadas para um homem que aguardava em uma motocicleta pronto para segui-la e efetuar o roubo. “Os criminosos que ficavam no bar comunicavam ao motoqueiro já pronto para a ação na rua pronto”, disse. Chamou a atenção da polícia o fato de o criminoso sempre levar com ele uma mochila de entrega de comida para despistar a polícia. “A vítima não achava que estava sendo perseguida”, acrescentou.
Depois disso, de acordo com o delegado responsável pelo caso, o relógio era entregue para uma terceira pessoa que, em seguida, levava o produto para outros estados. Isso tudo era feito, segundo o delegado, de forma bem rápida. “Os autores não subtraíram celulares, carteiras ou bolsas. O interesse era justamente roubar os relógios para serem revendidos”, explicou. Entretanto, de acordo com as investigações, a venda não era feita na capital. “Em BH, o comércio desses relógios de luxo não tem destaque. Porém, os criminosos perceberam que, aqui, as pessoas se sentiam seguras para ter o prazer de sair com esse tipo de relógio”, acrescentou.
Pensando nisso, todo o cuidado é pouco. Vinicius Dias disse que é preciso ficar atento: a forma mais importante para evitar roubo ou furto é manter o objeto à vista. Nunca o deixe em cima de mesa. Também é necessário ficar atento às pessoas que se aproximam. Muitas vezes, a subtração é feia dessa forma”, completou.
