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Estado de Minas

Deslocamento de talude em Barão de Cocais chega a 26,5 centímetros por dia

No fim da tarde de terça, novo boletim da Agência Nacional de Mineração apontou deformação inferior de 20,5cm/dia e movimento de 25,9cm/dia. Velocidade aumentou


postado em 29/05/2019 10:47 / atualizado em 29/05/2019 11:33

Obras de barragem de retenção no Córrego do Vieira, próximo à comunidade de Socorro, em Barão de Cocais(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press. Brasil)
Obras de barragem de retenção no Córrego do Vieira, próximo à comunidade de Socorro, em Barão de Cocais (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press. Brasil)


A velocidade da movimentação do talude norte da mina de Gongo Soco da mineradora Vale em Barão de Cocais (MG) registrou nesta quarta-feira, 29, às 10h, novo aumento para 21,9 centímetros por dia, ante 20,4 centímetros na medição anterior, feita no fim da tarde de terça-feira, informou a Agência Nacional de Mineração (ANM), em boletim. Em alguns pontos isolados, a movimentação avançou para 26,5 centímetros ao dia, ante 25,9 centímetros por dia registrado anteriormente.  Segundo a agência, somente entre os dias 21 e 25, a dilatação acumulada foi de um metro. 

O talude da Mina de Gongo Soco, que é um dos paredões em forma de degraus de onde o minério de ferro foi extraído, apresenta grande movimentação, o que indica que deve desabar ou escorregar, podendo gerar vibrações suficientes para romper a barragem, no entendimento inicial da Vale e da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec). Contudo, o paredão se comporta de forma a escorregar para o fundo da cava da mina, o que não provocaria vibração suficiente para um rompimento, segundo análises da empresa e da Cedec. 

“Por meio dos relatórios de geotecnia, o talude, que apresentava um deslocamento médio de quatro centímetros por dia, já tem um desprendimento médio de 19,7 centímetros e de 24 centímetros em alguns setores por dia. Porém, temos análises que mostram que a parte inferior está descendo mais rápido, o que demonstra um escorregamento e não um descolamento de placa. Ou seja, ele pode se acomodar no fundo da mina e não provocar um impacto muito grande que sirva de gatilho para um rompimento”, afirmou o major Marcos Afonso Pereira, superintendente de gestão de riscos de desastres da Cedec, na manhã de ontem. 
 
Mesmo que o talude da mina de minério de ferro não caia, as ações de prevenção e de monitoramento da Barragem Sul Superior prosseguirão até que a estrutura volte a atingir um nível seguro de estabilidade. “Caindo o maciço ou não, a situação da barragem segue delicada e sob risco. Há várias ações em curso. A população passou por dois simulados de evacuação. Há esses planos de ação de médio prazo, com a construção de uma barragem back up (também chamada de muro) de concreto que teria resistência para a contenção dos rejeitos e a barragem de retenção, que pode funcionar como um remanso para reduzir a força da massa de rejeitos”, disse o major da Cedec. (Com informações de Mateus Parreiras e Pedro Lovisi, estagiário sob supervisão da subeditora Ellen Cristie)


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