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Estado de Minas

Prazo-limite para rompimento em mina de Barão de Cocais é este domingo

Já no prazo-limite, colapso iminente de talude da Mina Gongo Soco, que pode levar ao rompimento de barragem, mantém equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e da Vale de prontidão


postado em 25/05/2019 04:10 / atualizado em 25/05/2019 08:13

Rotas de fuga foram estabelecidas e a população treinada para o caso de a barragem se romper: risco vai permanecer mesmo que isso não ocorra de imediato(foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press %u2013 25/3/19)
Rotas de fuga foram estabelecidas e a população treinada para o caso de a barragem se romper: risco vai permanecer mesmo que isso não ocorra de imediato (foto: Leandro Couri/EM/D.A. Press %u2013 25/3/19)

 

Autoridades e a população de Barão de Cocais, na Região Central de Minas, estão em alerta máximo neste fim de semana. De acordo com projeções de técnicos, termina amanhã  o prazo para a queda do talude norte da Mina Gongo Soco. Junto com a incerteza do dia exato e do horário do colapso da estrutura, resta a maior das dúvidas: se o baque do material na cava será capaz de provocar vibração suficiente para causar o rompimento da Barragem Sul Superior.

Se o pior cenário se concretizar, Barão será a primeira cidade a ser inundada pela lama de rejeitos. E mesmo se a represa não se romper imediatamente depois do desmoronamento do talude, o sossego dos moradores do município não será restabelecido de pronto. Isso porque serão necessários monitoramentos constantes para verificar a possibilidade de liquefação da estrutura, cuja consequência é a ruptura da barragem.

A expectativa de um rompimento a qualquer momento aumenta na medida em que cresce a movimentação no talude. De anteontem para ontem, ele passou de 11 centímetros/dia para uma movimentação de 12,9 centímetros/dia na base e 16 centímetros/dia nas partes mais altas, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). Ocorrendo o rompimento, a previsão é de que o rejeito chegue até a primeira casa num prazo de 1 hora e 12 minutos. “Temos tempo, condições e logística para fazer o trabalho”, afirma o coordenador-adjunto da Defesa Civil estadual, tenente-coronel Flávio Godinho. Na cidade vizinha de Santa Bárbara, o tempo é de três horas e em São Gonçalo do Rio Abaixo, de 8 horas. “Nesses locais, ela chegaria numa condição diferente das regiões próximas à barragem”, completa.

As equipes de resgate e os responsáveis pelos alertas também estão de prontidão. Defesa Civil estadual e municipal, Corpo de Bombeiros (incluindo o batalhão especializado em resgate, que atuou em Moçambique) e Polícia Militar estão com efetivo na cidade. Os carros de som da Vale encarregados de tocar a sirene na cidade também estão 24 horas de prontidão. O tenente-coronel ressalta que os alertas só vão soar em caso de rompimento da barragem. Se apenas o talude cair, não haverá acionamento do plano de emergência.

De acordo com Godinho, não haverá novos treinamentos ou simulados. Já foram feitos dois. O primeiro foi no fim de março, com adesão de 40% da população (2,4 mil pessoas). Na época, foram instalados sete pontos de encontro na cidade com funcionamento 24 horas por dia.

Também houve simulados de emergência com moradores de Santa Bárbara e de São Gonçalo do Rio Abaixo. O outro ocorreu no último dia 18, quando cerca de 1,6 mil moradores da zona de segurança secundária da cidade participaram. A ação, de caráter preventivo, foi feita pela Defesa Civil estadual, com apoio da Vale, das Polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e da Prefeitura Municipal. A mineradora participou da atividade com 350 funcionários e prestou apoio logístico às autoridades. O treinamento teve duração de 48 minutos e adesão de 26,75% do público previsto.

Nível 3 Em março, o risco da barragem da Mina Gongo Soco foi elevado para o nível 3 – o último previsto pela mineração antes de vazamento e que se caracteriza por uma situação de ruptura iminente ou que está ocorrendo. Depois de vistoria técnica, um auditor independente informou que a barragem está em condição crítica de estabilidade, com possibilidade de liquefação. Na ocasião, a Vale assegurou aos bombeiros que atendem a região que não havia possibilidade de rompimento.

Por meio de nota, a Vale disse que adotou todas as medidas preventivas em Barão de Cocais, desde 8 de fevereiro, com o objetivo de garantir a segurança dos moradores da região. “Além da retirada preventiva dos moradores da zona de autossalvamento, a Vale apoiou as autoridades na realização de simulados e na preparação das comunidades para todos os possíveis cenários, com equipes de prontidão permanentemente”, afirmou no texto.

A mineradora acrescentou que tanto o talude da Mina Gongo Soco quanto a Barragem Sul Superior estão sendo acompanhados 24 horas por dia e as previsões sobre deslocamento de parte da primeira estrutura, revistas diariamente. “A Vale reforça que não há elementos técnicos que possam afirmar que o eventual deslizamento de parte do talude poderia desencadear a ruptura da barragem. Mesmo assim, reitera que todas as medidas preventivas foram tomadas e segue à disposição das autoridades para prestar todo apoio possível.”


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