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Estado de Minas

Convite ao respeito e luto por Brumadinho

Em missa que levou 15 mil católicos ao Mineirinho, arcebispo conclama comunidade a superar as diferenças com sabedoria e lembra vítimas do rompimento da barragem da Vale


postado em 19/04/2019 05:07

Mais amor para conviver com as diferenças e sabedoria para respeitar pensamentos distintos. Esse foi o recado dado pelo arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, durante celebração da Missa da Unidade, evento da Igreja Católica que marca a quinta-feira santa e é a oportunidade da comunidade católica de se unir no amor por Jesus Cristo. Mais de 15 mil pessoas participaram da missa, que ocorreu no ginásio do Mineirinho, na Região da Pampulha, na capital mineira, e teve na homenagem aos mortos de Brumadinho seu ponto mais alto.

“Estamos no contexto da nossa sociedade brasileira lamentavelmente com muitas polarizações, muitas disputas e com falta de sabedoria para conduzir adequadamente na direção certa. A Missa da Unidade, ao proclamar a palavra, nos dá a oportunidade de fortalecer a comunhão e de nos abrirmos ao amor de Deus, o que é fundamental. Pois ao nos abrir no amor de Deus, brota em nós uma sabedoria que não vem de livros nem mesmo da experiência, mas nos fecunda, nos fazendo capaz de viver o caminho do amor. Por isso precisamos de comunhão e estamos aqui nos renovando nesta comunhão”, diz dom Walmor.

Segundo o chefe da Arquidiocese de BH, a semana santa é um grande retiro espiritual. “Para o qual nós convidamos todo o povo de Deus, toda a sociedade para uma escuta mais profunda do amor de Deus. Porque sem espiritualidade, sem algo mais profundo no nosso coração, não teríamos condições de superar os desafios que temos. Seremos muito mais por nós mesmo, por nosso interesse, quando na verdade precisamos nos abrir mais e mais no amor de Deus”, afirma o religioso.

Segundo o arcebispo, a Missa da Unidade é o momento para bispos, padres, diáconos, evangelizadores, ministros e o povo de Deus se congregarem para renovar o seu compromisso de unidade, que significa fixar o olhar em Cristo. Oportunidade de demonstrar mais uma vez o luto por Brumadinho, que deixou 230 mortos e ainda mantém 47 desaparecidos sob a lama da Vale. “Chegamos para a Missa da Unidade em luto por causa de Brumadinho. Por conta de tragédias, por conta de desastres, por conta da violência que cresce e do desamparo dos pobres. Mas esse luto há de se transformar pela luz da fé em um novo caminho. E é por isso que estamos aqui na unidade. Que precisamos de uma grande força para lutarmos e construirmos um mundo novo com a luz da fé e nos valores do evangelho de Jesus Cristo”, acrescenta dom Walmor.

A aposentada Helenice Maria Rodrigues dos Santos, de 73 anos, está acostumada a frequentar sozinha a Missa da Unidade há décadas. É o momento que ela tira para refletir. “Sem Deus não somos nada. Toda vez, saio daqui com esperança que o mundo melhore e com o espírito muito mais tranquilo”, afirma. A doméstica Edna Lúcia Cesário, de 67, chegou mais cedo e ficou colada na grade, para não perder nenhum momento. “É o dia santo, essa missa traz a união de toda a diocese. A missa é ótima, gosto de ver meus padres passando, matando a saudade daqueles que já passaram pela paróquia”, diz ela. O momento de muita disseminação de ódio, segundo Edna, demanda mais amor. “Precisamos de mais amor para a humanidade, que o povo está precisando. As pessoas estão esquecendo de uma palavrinha tão pequeninha que é o amor. Amor ao próximo, o amor que Cristo nos deixou”, completa. A dona de casa Vanilda Alves da Silva, de 65, destacou o momento ímpar da Missa da Unidade. “Esse momento é único na vida da gente. A gente procura estar junto a Deus pra se fortalecer. É um dia único na minha vida. Temos que abrir o coração para acolher os outros. Essa foi a mensagem que Jesus nos deixou”, diz.

O ponto alto da celebração foi uma apresentação que misturou teatro e dança em homenagem às vítimas de Brumadinho. Jovens da Paróquia Dom Bosco, na Região Noroeste da capital, fizeram duas coreografias relembrando o estado de Minas Gerais e também a tragédia da Vale. Vestidos com camisas brancas sujas de lama eles celebraram a memória de quem se foi no desastre. “A gente não podia deixar de lembrar Brumadinho. Acho que nossa mensagem foi passada e as pessoas ficaram tocadas. Fiquei bastante emocionada”, afirma a estudante Júlia Nogueira Xavier. Na parte da apresentação destinada a Brumadinho, os jovens usaram uma capa marrom para simbolizar a onda de lama da barragem que se rompeu em Córrego do Feijão.


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